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Editor: Eduardo Lorea - eduardolorea@fazendomedia.com


30.05.2006
GREVE DE PASSAGEIROS EM NITERÓI
Mobilização marcada para amanhã contesta política pública de transporte do município

Por Raquel Junia - raquel@fazendomedia.com

"Organize-se. Pegue carona. Vá de bicicleta, vá a pé, mas não peque ônibus", conclama o panfleto da Greve de Passageiros marcada para o dia 31 de maio, próxima quarta-feira, na cidade de Niterói (RJ). Dessa vez, não são os motoristas que se recusarão a colocar os ônibus na rua, nem as empresas. O boicote será dos maiores beneficiários do transporte coletivo - os usuários. A Greve de Passageiros é um protesto motivado pelo recente aumento das passagens do transporte coletivo da cidade. Os valores praticados no município subiram de R$ 1,60 para R$ 1,75 e de R$ 1,70 para R$ 1,85 após uma greve dos motoristas no início do mês de maio. Mais de 600 assinaturas já foram colhidas e serão encaminhadas para que o Ministério Público entre com uma ação judicial contra a atual política municipal de transporte. Também no dia 31 haverá uma mobilização com concentração às 16h, em frente à câmara municipal da cidade.

De acordo com o artista plástico René Amaral, um dos organizadores da greve, o movimento já conta com mais de 1.700 membros ativos que atuam na divulgação do protesto. Ele explica que a mobilização começou pela internet, na página eletrônica de relacionamentos Orkut, com a criação da comunidade "Greve de Passageiros em Niterói". No tópico "Incentive", criado dentro da comunidade, um militante calcula que as empresas de ônibus teriam um prejuízo de R$ 569.450 se todas as pessoas que participam do movimento na internet - 1.627 membros na ocasião - deixassem de utilizar o transporte coletivo no dia 31. O cálculo foi feito baseado na utilização de duas passagens diárias pelos militantes. Os lucros estratosféricos das empresas de ônibus e a forma de cálculo das passagens também são encontrados na comunidade virtual.

"Essa situação de preços abusivos é fruto de uma relação promíscua das empresas de ônibus com os governos, e também com os sindicatos. É importante deixar claro que no caso dos sindicatos o problema não é com os trabalhadores, mas sim com o fato de serem mal representados. O povo tem que se tornar consciente de que tudo sai do bolso deles", afirmou René. Outro problema listado pelo artista plástico é o fato de a câmara de vereadores da cidade legislar de acordo com interesse das empresas de ônibus. Ele afirma que as empresas têm representantes entre os vereadores, inclusive, um empresário dos transportes coletivos - o vereador Zaff (PDT). O político é filho de José Fernandez, proprietário do Expresso Barreto, uma das empresas de transporte coletivo em Niterói.

A proposta do movimento é que seja feita uma auditória das planilhas de custo do transporte público. Embora o objetivo principal da mobilização não seja o Passe Livre, Amaral acredita que a gratuidade no transporte deve existir para os setores da sociedade que mais necessitam, como os estudantes, os idosos e a população de baixa renda, sem a oneração dos usuários pagantes como ocorre hoje. O foco do movimento é a reestruturação da política de transporte público de Niterói, o que vai além do simples retorno das passagens ao valor anterior ao do aumento. No dia 31, haverá coleta de mais assinaturas. Após as mobilizações será pedida uma audiência com o promotor do Ministério Público para entrada da ação contra a Prefeitura Municipal de Niterói, a Câmara dos Vereadores e a Secretaria de Obras, Serviços Públicos, Trânsito e Transportes da cidade.


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