
Editor: Eduardo Lorea - eduardolorea@fazendomedia.com
25.06.2006
QUANTOS MEIOS HÁ EM 26%?
Por Eduardo Lorea - eduardolorea@fazendomedia.com
As pesquisas de intenção de voto para o governo do Estado do Rio Grande do Sul de 1994, 1998 e 2002 demonstraram: o Partido dos Trabalhadores tinha a preferência de 30% do eleitorado gaúcho.
O percentual apareceu, com pequenas variações, no primeiro turno dos três pleitos. A grande dúvida, até ontem, era saber quantos dos que construíram esse percentual continuavam fieis ao PT depois dos acontecimentos que marcaram a política brasileira nos últimos três anos e meio. Veio o governo Lula, em que o partido se viu aliado com antigos adversários como PMDB e PL no executivo, e até PP no Congresso Nacional; além dos casos de corrupção daí advindos, como o mensalão.
Pois ontem o grupo RBS – maior rede de comunicação do sul do Brasil, afiliado local da Rede Globo – divulgou uma pesquisa Ibope para o governo do Estado na qual Olívio Dutra, o candidato do PT, aparece com 26% das intenções de voto. Empatado com ele está o atual governador, Germano Rigotto (PMDB).
O resultado demonstra que o percentual inicial de votação petista não foi significativamente alterado. Sanada a primeira dúvida, resta a segunda: não se sabe se a composição do eleitorado petista continua a mesma. Os 26% de eleitores que têm a intenção de votar no PT gaúcho são os mesmos 30% (menos 4%) dos pleitos anteriores?
Vamos ilustrar a importância dessa resposta para o resultado da eleição de 2006 supondo uma pesquisa acadêmica. Os objetivos: verificar se houve mudança na composição do eleitorado petista gaúcho e especular – verbo nada acadêmico – sobre as conseqüências dessa mudança, caso ela se confirme.
Um levantamento preliminar de dados revelaria, acredito, a necessidade de se criar duas categorias para enquadrar os tipos predominantes de votantes de Olívio Dutra: o eleitor-final e o eleitor-meio.
O eleitor-final é aquele cidadão que, em 1º de outubro, vai simplesmente se dirigir às urnas e depositar seu voto no “galo missioneiro”. Silencioso, não se omite do dever democrático de votar, mas não se engaja em campanha, não qualifica o debate, não convence ninguém.
O eleitor-meio é o militante. Aquele que vai às ruas de bandeira no ombro, que vai às atividades de campanha, aos comícios, às mateadas, caminhadas, carreatas. Que mobiliza seus parentes, amigos, vizinhos. Tem potencial multiplicador, significativo principalmente no segundo turno.
A quantidade de eleitores-meio do PT sempre foi diferencial do partido em relação aos demais. Tornou as campanhas mais espontâneas e menos caras, mais apaixonadas e menos homogêneas. Parte deles mostrou a cara em Brasília em 1º de janeiro de 2003, quando Lula subiu a rampa do Planalto.
Nossa pesquisa proporia, então, um terceiro objetivo: verificar a diferença entre o percentual de eleitores-meio do PT nos três pleitos anteriores e o percentual atual.
Hipótese: ele diminuiu. Muito.
A se confirmar isso, a conseqüência projetada para um eventual segundo turno é que Olívio Dutra não terá meios – ou eleitores-meio – para aumentar sua votação e derrotar o atual governador, Germano Rigotto. A tendência é de que o candidato à reeleição receba a grande maioria dos votos dados em primeiro turno aos candidatos Yeda Crusius, do PSDB, 11% na pesquisa mais recente, Francisco Turra (PP, 3%) e Nelson Proença (PPS, 1%), mais parte dos de Alceu Collares (PDT, 8%).
Como nenhum dos outros concorrentes representa perigo para a o novo mandato do peemedebista, tudo aponta para a reeleição de Rigotto.
Em 29 de outubro conferiremos a validade dessa avaliação.