
Editor: Eduardo Lorea - eduardolorea@fazendomedia.com
19.05.2006
SENHORES DE SÃO PAULO
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com
Os senhores de São Paulo garantem: estamos diante de uma guerra do Estado contra o crime organizado.
Uma guerra do bem contra o mal.
Para eles, o crime organizado é como o terremoto, que chega sem avisar e depois desaparece sem se despedir. Os senhores de São Paulo não desconfiam, nem imaginam, que a existência do crime organizado possa depender da corrupção de policiais, carcereiros, parlamentares, juízes, banqueiros e outros doutores.
Talvez por isso apenas bandidos pobres sejam assassinados pela vingança oficial. Ou então seus parentes. Na semana do dia das mães, a mãe de um presidiário foi assassinada por ter cometido o único crime de ser mãe de presidiário. Isso aconteceu sem maiores manchetes e muito menos o mínimo que deveria ter acontecido: a criação, por decreto, do Ministério do Absurdo, cujo titular vitalício deveria se chamar Senhor de São Paulo.
Mas o país não ficou órfão de decretos por muito tempo. Um policial decretou a pena de morte ao dizer que iriam morrer de 10 a 15 bandidos por dia. Profecia cumprida, quatro dias depois 60 pessoas foram assassinadas.
Mas os senhores de São Paulo devem saber o que fazem. Afinal, estão há muitos anos no poder. Lá instalados, nunca deixaram de implementar leis mais duras, penas maiores e repressão - muita repressão. Mesmo que durante tantos anos os resultados sejam questionáveis, o que pediam esses mesmos senhores enquanto bandidos atacavam São Paulo? Leis mais duras, penas maiores e repressão - muita repressão.
Herdeiros legítimos da ditadura, os senhores de São Paulo devem saber o que estão fazendo. Até porque, se a insegurança está cada vez maior, a culpa só pode ser desses bandidos que não se endireitam.