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18.02.2007
CUBA ACUSA OS EUA DE IMPEDIREM SEU ACESSO À INTERNET

Por Thais Fernandes - thais@fazendomedia.com

Em Cuba, o acesso à internet é lento, caro e limitado, e de acordo com o governo cubano isso é resultado direto do bloqueio que há 45 anos é imposto ao país pelos Estados Unidos. A manobra americana, em vigor desde 11 de março de 1962, foi decretada por John F. Kennedy com o intuito de dificultar o avanço da revolução em curso na ilha.

Hoje, uma das conseqüências desse embargo econômico é a proibição de Cuba conectar-se aos cabos de fibra óptica que passam muito perto de suas costas, como disse na última quarta-feira (14) o ministro cubano de Informática e Comunicações, Ramiro Valdés Menéndez, na inauguração da Convenção e Exposição Internacional 2007.

Como alternativa, Cuba utiliza uma ligação via satélite que torna as conexões mais lentas e caras. O governo alega essa condição, assim como sua estratégia de prioridades sociais no uso da rede, para explicar as restrições que aplica ao acesso à internet. Limitações que poderão ser reduzidas em poucos anos por meio de um link submarino alternativo que conectará Cuba à rede da Venezuela.

A internet na geopolítica da região
O canal via satélite que Cuba utiliza, habilitado em 1996, proporciona uma largura de banda muito pequena em comparação ao cabo (65 megabytes por segundo de download e 124 de upload). Qualquer modificação do canal exige licença do Departamento do Tesouro dos EUA. As leis do bloqueio estadunidense "não só nos proíbem a aquisição de equipamentos e programas de informática de companhias americanas, como, por seu caráter extraterritorial, perseguem nossas operações com empresas de outros países", queixou-se o ministro Valdés, um histórico integrante do governo e comandante da revolução liderada por Fidel Castro.

As ações e intervenções estadunidenses nessa guerra informática incluem, segundo Havana, a proibição de que instituições e cidadãos dos EUA utilizem a Web para transações eletrônicas com instituições cubanas, assim como o bloqueio de downloads de software e informações (inclusive gratuitas) se o número IP for identificado com Cuba. As autoridades do país caribenho acreditam que, além disso, as empresas provedoras de serviços e tecnologias fornecem informação aos órgãos de inteligência dos EUA, o que torna necessário um "constante aumento dos níveis de segurança" das redes na ilha.

O problema dos custos não é menor. Cuba paga mais de US$ 4 milhões por ano por um link com a Internet que, além de ser mais lento e ter menor capacidade, sai de 15% a 25% mais caro que o do cabo. Havana não oculta suas restrições ou "medidas de segurança e controle" no fornecimento de acesso à Internet, as quais dificultam a contratação de serviços de Internet; mas as justifica com a exceção que foi criada pelo bloqueio americano.

Como o link por satélite é precário, o governo optou pelo que chama de estratégia de "apropriação social das tecnologias da informação", que dá prioridade às comunidades científicas, educativas e culturais. Diante de relatórios internacionais que situam Cuba nos últimos lugares em penetração da Internet, Havana enfatiza o rendimento social que obtém dessa utilização comunitária.

"O cavalo selvagem das novas tecnologias pode e deve ser domado, e as telecomunicações devem ser postas a serviço da paz e do desenvolvimento", resumiu Valdés. Cuba e Venezuela assinaram em 24 de janeiro um acordo para estender um cabo óptico de 1,5 mil quilômetros de costa a costa em cerca de dois anos. É a vertente tecnológica da aliança cada vez mais notória entre os dois países e seus líderes.

Com informações de La Vanguarda e Vermelho.


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