
Editor: Eduardo Lorea - eduardolorea@fazendomedia.com
13.06.2006
PARAÍSO DUPLO
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com
O Senado Federal deu mais um passo em direção à entrega do Brasil. Trata-se da aprovação de projeto de lei na quarta-feira, dia 07/6, encaminhada pelo Executivo, que elimina os impostos sobre o capital estrangeiro que entrar no país. PT e PSDB encabeçaram a aprovação, naturalmente com a justificativa de que o país atrairia mais investimentos e, conseqüentemente, criaria novos empregos.
Executivo e Legislativo, portanto, partem do princípio de que a melhor maneira de captar recursos é oferecendo todas as vantagens a quem vem de fora. Ou seja, ao tal mercado. Repare-se que o raciocínio não é investir no país primeiro, desenvolver sua infra-estrutura e torná-lo atrativo a investimentos. Não. A proposta é justamente o contrário. O Brasil, que já era um paraíso dos neo-escravocratas, agora será o único caso no mundo de paraíso duplo: fiscal e laboral. Uma mistura de Indonésia com Suíça.
Continuamos sem projeto de país, com o olhar voltado para o exterior. Os maiores investimentos feitos aqui são em estradas, portos e dutos para escoar nossas riquezas naturais; ou em montadoras de carros, que recebem todas as facilidades (benefícios fiscais, empréstimos, terrenos) e por isso mesmo deixam o país quando querem, causando desemprego em massa.
Em outras palavras, governo e neo-oposição acabam de desferir mais um golpe contra a democracia e o bem-estar do povo brasileiro, como se acostumaram a fazer com a complacência da mídia corporativa, que só publica o que e quando é de seu interesse.
P.S.: Deu no Financial Times. A Alemanha é a campeã da globalização. Isso porque o país germânico ultrapassou os EUA e exporta hoje US$ 1 trilhão em produtos por ano, mais que Reino Unido, França e Holanda juntos. As subsidiárias das empresas alemãs, em todo o mundo, vendem 1,2 trilhão de euros. Tudo isso, como aponta o insuspeito jornal, com forte intervenção estatal para proteger a indústria, os empregos e o estilo de vida. Aqui, nossa mídia colonizada diz que o bom mesmo é liberar geral para o tal mercado, santíssimo seja, que nada mais é do que empresas nacionais e estrangeiras que não querem enfrentar as regulações estatais que criam as condições para o verdadeiro desenvolvimento de uma nação.