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Editora: Raquel Junia - raquel@fazendomedia.com


10.10.2006
PREFEITURA DO RIO AMEAÇA TRÊS COMUNIDADES
Santa Luzia, Beira Rio e Vila Nova, todas na Zona Oeste, estão sendo ameaçadas pelo mesmo esquema Prefeitura-Globo-Construtora

Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Três outras comunidades estão sendo ameaçadas pela Prefeitura do Rio, de acordo com denúncias dos moradores da Beira Rio, que fica a 500 metros do Canal do Cortado, Vila Nova e Santa Luzia, todas localizadas na Zona Oeste da cidade.

"No dia em que eu e mais sete moradores fomos ao Iterj [Instituto de Terras e Cartografia do RJ], três carros com dois ou três ocupantes cada vieram aqui e pediram aos moradores para preencherem formulários de IPTU", disse Rita de Cássia, presidente da Associação dos Moradores da Vila Nova, comunidade de 72 famílias há trinta anos estabelecida no Recreio dos Bandeirantes. "Nós consideramos isso uma ameaça", completou.

Os moradores não colaboraram, pois sabem que esse é o procedimento inicial da Prefeitura para a retirada de comunidades. Foi o que aconteceu na Vila Autódromo, por exemplo, quando funcionários da Secretaria Municipal de Habitação (SMH) disseram que fariam um cadastro para fins de saneamento.

Na verdade o objetivo era a demolição das casas, como informou Maria Helena Salomão, da SMH, em reunião realizada em maio do ano passado na sede da Prefeitura. "A decisão de reassentar ou indenizar as famílias somente poderá ser tomada após a fase de cadastramento".

O encontro contou com a presença de um representante da construtora Carvalho Hosken, que aparece na lista de doadores da campanha do prefeito César Maia (PFL) e é uma das maiores anunciantes da TV Globo e do jornal O Globo. Eis o que disse o senhor Roberto Aibinder:

"Com relação à comunidade instalada na Av. Abelardo Bueno [Arroio Pavuna], a Carvalho Hosken está se prontificando a colaborar com o assentamento de 60 famílias, arcando com parte dos custos".

A Vila Autódromo resistiu, mas dez meses depois a Arroio Pavuna estava no chão. Hoje, a maioria de seus moradores pagam aluguel e vivem em condições precárias. Por outro lado, o imenso condomínio de luxo Rio 2, da Carvalho Hosken, não é mais vizinho de uma favela.

A Beira Rio, próxima ao Canal do Cortado, tem sido visitada todas as semanas por funcionários da Prefeitura. De acordo com relato dos moradores, eles fazem ameaças do tipo: "Viu o que aconteceu no Cortado? Os próximos serão vocês".

Já em Santa Luzia, a operação foi mais extensa. No dia 21 de setembro, cinco carros da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e uma equipe da TV Globo, com direito a helicóptero, visitaram a comunidade. A Associação de Moradores foi notificada e seus representantes tiveram que comparecer à delegacia.

Enquanto isso, o RJTV criminalizava as cerca de 200 famílias que ali vivem e "descobria", após trinta anos, que as construções estão em área de proteção ambiental, no Maciço da Pedra Branca. Curiosamente a reportagem da TV Globo não descobriu ainda que o Riserva Uno, condomínio de luxo recém-lançado na mesma região, também ocupa área de preservação ambiental (naturalmente muito mais extensa do que aquela ocupada pela comunidade Santa Luzia).

Ainda assim, Fladmir Guimarães, morador de Santa Luzia e integrante do Movimento União Popular, contesta as informações da DPMA e da Globo. "Nós estamos há 12 quilômetros de distância do Maciço da Pedra Branca. E entre a gente e o parque há diversos prédios e condomínios", afirmou.

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