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06.03.2007
MUNICÍPIOS MAIS VIOLENTOS COINCIDEM COM OS CAMPEÕES DE TRABALHO ESCRAVO
Relatório mostra que desmatamento na Amazônia concentra municípios com maior índice de homicídios; região também é o maior foco de trabalho escravo

Por Iberê Thenório, da Agência Repórter Brasil
- www.reporterbrasil.org.br

A Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) divulgou, nesta terça-feira (27), um relatório que ranqueou os municípios brasileiros pela incidência de homicídios em relação ao número de habitantes. Sua primeira grande constatação foi que a violência tem se espalhado pelo interior do país. Mais do que isso, ela se concentra especialmente nos municípios localizados sob o arco do desflorestamento amazônico e em áreas de expansão agrícola, no Norte do Mato Grosso e no Sul e Sudeste do Pará - justamente as áreas campeãs em casos de trabalho escravo.

A grande mancha de violência que se espalha pelas bordas da Amazônia Legal abarca os dois estados que historicamente mais concentram casos de mão-de-obra análoga à escravidão. De 1995 a 2006, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram libertadas 4.553 pessoas no Mato Grosso e 8.177 no Pará, o que representa 56,8% dos casos brasileiros. Apenas em 2006, 444 pessoas ganharam a liberdade no Mato Grosso, enquanto no Pará foram 1.180 trabalhadores.

A grilagem de terras, o desmatamento ilegal e a pressão do agronegócio por mais terras somados à fraca atuação do Estado são geralmente apontados como os principais ingredientes para que a violência prolifere na região. Mesmo analisando separadamente os municípios mais violentos constata-se coincidência com os casos de escravidão. Entre os cem mais violentos do Brasil, em pelo menos 15 já foi encontrado trabalho escravo. Essas cidades estão concentradas em quatro estados: Mato Grosso, Pará, Roraima e São Paulo.

Colocação Município x Taxa de Homicídio

Municípios que estão entre os 100 mais violentos do Brasil nos quais já foi encontrado trabalho escravo. (Colocação entre os municípios mais violentos do país e índice de homicídios a cada 100 mil habitantes entre 2002 e 2004).

7º Tailândia (PA) x 104,9
38º Chupinguaia (RO) x 72,4
39º Marabá (PA) x 71,0
42º Iaras (SP) x 70,0
44º Sapucaia (PA) x 69,4
55º São Francisco do Guaporé (RO) x 66,6
56º Nova Ubiratã (MT) x 66,4
58º Nova Bandeirantes (MT) x 65,5
59º Novo Mundo (MT) x 65,2
63º Tapurah (MT) x 64,8
65º Brejo Grande do Araguaia (PA) x 64,2
66º Brasnorte (MT) x 64,1
72º Rondon do Pará (PA) x 62,7
78º Parauapebas (PA) x 61,8
79º Novo Repartimento (PA) x 61,7
* 107º Rio de Janeiro (RJ) x 57,2
* 182º São Paulo (SP) x 48,2

(*) São Paulo e Rio de Janeiro constam na lista para efeitos de comparação.

Fonte: Organização dos Estados Ibero-Americanos (índice de homicídios) e Ministério do Trabalho e Emprego (municípios onde houve libertações).

O relatório da OEI revela que a taxa de homicídios por habitantes dessas 15 cidades ultrapassa a de grandes metrópoles brasileiras. Marabá, no Sudeste do Pará, é uma das campeãs brasileiras de trabalhadores libertados, com 60 casos de trabalho escravo e 363 libertados entre 1969 e 2005, também segundo a CPT. Ao mesmo tempo, a cidade é uma das mais perigosas do país, registrando 71 homicídios a cada 100 mil habitantes no período medido pela OEI. Cidades conhecidas mundialmente por seus casos de violência, como São Paulo e Rio de Janeiro, registraram 48,2 e 57,2 homicídios, respectivamente.

A pesquisa da OEI foi realizada com base nos registros de óbitos do Ministério da Saúde. O cálculo da média de homicídios considera as mortes ocorridas entre 2002 e 2004, e a população dos municípios nessa época.


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