......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



Editor: Eduardo Lorea - eduardolorea@fazendomedia.com


04.08.2006
OUTUBRO VEM AÍ

Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) ressaltou nesta terça-feira (01/8), na Tribuna do Senado Federal, a "coincidência" de que alguns parlamentares envolvidos nas denúncias de superfaturamento de ambulâncias ostentam as campanhas políticas mais caras.

Nada de novo no front. Esses parlamentares sabem muito bem que nesses dias neoliberais o que vence uma eleição não é o caráter do candidato ou sua honestidade na condução de um mandato público, mas a imagem que tem projetada na mídia. Não é sua dignidade que conta, mas o dinheiro que emprega.

O caro leitor me responda: qual veículo de comunicação seria capaz de declinar apoio a um candidato canalha, desde que seja um canalha rico, que pague em dia e, de preferência, em espécie ou através de depósito em paraísos fiscais?

Simon também aproveitou sua fala para fazer um apelo contra o voto nulo. O senador sabe que a grande maioria está decepcionada com a política brasileira, mas advertiu que a melhor solução para a democracia é ter um Congresso funcionando. E sugeriu que o eleitor escolhesse com cautela um candidato de sua confiança. Além disso, é preciso que o eleitor acompanhe o mandato do parlamentar eleito.

Uma boa maneira de verificar as credenciais dos candidatos é acessar as informações recém-disponibilizadas pela Transparência Brasil. O serviço oferecido no endereço http://perfil.transparencia.org.br possibilita o acesso de informações públicas dos candidatos a deputado federal nas próximas eleições, agora em outubro.

Emendas propostas, uso da verba de gabinete e informações pessoais estão disponíveis para a avaliação do internauta. Do endereço citado, por exemplo, é possível realizar uma breve comparação entre três candidatos, todos do Rio de Janeiro:

Rodrigo Maia (PFL-RJ), que declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 719.252,00 e gastou R$ 416.500,00 na última campanha, sendo que entre os principais doadores aparecem os bancos Itaú e Icatu, além da Bolsa de Valores de São Paulo;

Chico Alencar (PSOL-RJ), que declarou patrimônio de R$ 194.612,00 e gastou R$ 65.302,38 em sua última campanha, sendo ele mesmo o maior doador;

Jorge Bittar (PT-RJ), que disse à Justiça Eleitoral não possuir bens, mas conseguiu reunir a fortuna de R$ 2.282.621,62 para financiar sua última campanha, sendo que entre os maiores doadores estão o diretório nacional do PT, Gerdau, Sendas, Banco BRJ e as construtoras OAS e Camargo Corrêa.


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