
27.03.2007
LUTA NOVA, QUESTÃO ANTIGA
MST ocupa o Instituto de Terras e Cartografia do Rio de Janeiro, no centro da cidade. Em Valença (sul fluminense), militantes da Via Campesina ocupam 50 casas
Por Isabela Calil - contato@fazendomedia.com
Desde a primeira ocupação, já se passam vinte e dois dias de tensão entre o Instituto de Terra e Cartografia do Estado de Rio de Janeiro (Iterj) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A questão gira em torno da promessa feita pelo governo de repassar a quantia necessária para a aquisição da fazenda Sempre Verde, já que as terras onde eles viviam desde 2000 foram doadas ao governo estadual a fim de permitir que a siderúrgica alemã Thyssen Krupp ocupasse o local.
O MST tem vivido desde março do ano passado em Nova Iguaçu, mas em condições vexatórias. Segundo o grupo de manifestantes não há infra-estrutura: falta energia elétrica, os barracos estão apodrecendo, não há saneamento básico e as estradas estão péssimas.
Diante desse quadro, o MST resolveu pressionar o governo para que a verba seja liberada. Eles ocuparam os corredores do Iterj no último dia 20 e afirmam que só sairão de lá após o depósito. Vale ressaltar que o movimento é pacífico e que eles querem apenas que o que já foi acertado seja posto em prática. A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, lançada pela Via Campesina. Esta se trata de um movimento de proporção global que visa coordenar, entre outros, as ações de médios e pequenos camponeses - e entre os principais temas está a questão da Reforma Agrária.
A Jornada Nacional tem organizado atos públicos desde 2004 e tenta assim pressionar o governo para que sejam feitas as reformas tão necessárias dentro do meio rural em nosso país. A ação também teve o apoio da ONG Justiça Global.
Ocupação em Valença
Outra manifestação ocorre em Valença, sul do estado do Rio de Janeiro. Desde o dia 19, diversas famílias ocupam cinqüenta casas. Estas foram construídas pela Prefeitura, mas desde 2004 as obras estão paradas. As famílias selecionadas pelo governo resolveram então ocupar as casas, já que possuem concessão para usá-las. Nestas, entretanto, não há portas, janelas ou eletricidade. Com a paralisação das obras o material, que está a céu aberto, apodrece a cada dia e as casas estão se deteriorando. Houve uma reunião entre a futura associação de moradores e o prefeito Fábio Vieira para discutir o assunto.
O prefeito afirma que assim que houver a saída dos moradores as obras retornarão, mas estes não acreditam nas palavras do prefeito baseados em experiências anteriores; agoram desejam um compromisso formal e um prazo para o término das obras. A manifestação em Valença conta com o apoio de militantes de partidos políticos, entidades municipais e do MST.
Hoje existem no Brasil cerca de quatro milhões de sem-terra, mas as reformas caminham a passos lentos. O governo não esquece suas dívidas com as grandes corporações e nem os subsídios dados ao agronegócio. É em busca da mesma seriedade que os manifestantes do MST se organizam, para que possam ser vistos e ouvidos.