......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



24.08.2006
ATO PELA EDUCAÇÃO PÁRA CENTRO DO RIO
Manifestantes levaram mais de duas horas para fazerem o percurso e mostrarem as demandas à população

Por Raquel Junia - raquel@fazendomedia.com

Do alto do carro de som, diversas frentes do movimento estudantil mais o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) falavam em ampliação do investimento em educação pública e em uma aliança campesina-estudantil. No ato do dia 22 de agosto, quarta-feira, cerca de 600 pessoas saíram da Igreja da Candelária e foram até o prédio do Ministério da Educação (MEC), no Centro do Rio de Janeiro. No percurso, uma parada em frente ao prédio da Companhia Vale do Rio Doce para exigir a reestatização da empresa.

A atividade fez parte da Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública, que no Rio de Janeiro, também contou com outras atividades. No dia 20 de agosto, o MST ocupou o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E, no dia 21, o movimento se dirigiu ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) com reivindicações ao órgão também referentes à educação. Até o dia 24 de agosto, outras atividades estão previstas em vários estados.

"A ocupação do IFCS foi uma forma de questionar a função da universidade na sociedade. O conhecimento deve estar a serviço da população", fala Fernanda Matheus, do setor de educação do MST. Segundo ela, estudantes e professores da URFJ ajudaram a construir o processo de ocupação da universidade.

70 assentamentos no Rio e apenas 10 escolas
Esse foi o dado mencionado por Fernanda sobre a dificuldade de acesso à educação das crianças que fazem parte do movimento. A audiência com o Incra no dia 21 teve como tema o repasse de verbas federais para a educação. O MST pede que o dinheiro disponível para a construção de escolas rurais seja repassado ao Incra e não aos governos estaduais ou municipais.

De acordo com o movimento, o repasse de verbas ao Incra garantiria escolas nos assentamentos e na zona rural em geral.

"Muitas crianças ficam sem estudar ou são transportadas para escolas em municípios distantes 20, 30 quilômetros dos assentamentos. Além disso, existe um descompasso entre a proposta pedagógica dessas escolas e a realidade das crianças. O material didático, por exemplo, é voltado para a cidade e não para o campo", justifica Fernanda Matheus.

A diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais em Educação (Sepe-RJ), Ivanete da Silva, também critica a carência de escolas na zona rural, o que segundo ela, tem motivações ideológicas, além de outros motivos.

"Escola não tem que ser só na cidade, mas no campo também. A política do governo estadual é contra os assentamentos, por isso, não garante educação nessas localidades", afirma.

Os profissionais em educação do Estado do Rio de Janeiro estão em greve por tempo indefinido após o anúncio do governo do estado de que vai reajustar os salários em 25%, em 24 parcelas, o que significa pouco mais de 1% de reajuste por mês. Segundo Ivanete, presente na manifestação, o Sepe-RJ também estava apoiando o ato da Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública.

Juventude do PT e PCdoB chamam a atenção o governo federal
Diante do prédio da Vale do Rio Doce, o presidente da juventude do PT, Gabriel Ribeiro, cobra a demissão do presidente do Banco Central Henrique Meirelles e também a anulação da privatização da Vale. A privatização da empresa foi feita pelo governo Fernando Henrique Cardoso sem consulta à população.

Igor Bruno, da União da Juventude Socialista (UJS), setor de juventudes do PCdoB, partido aliado do governo federal, critica o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), chamado de PAC da segurança. O Programa foi recém-lançado pelo governo do presidente Lula.

"Ao invés de dar dinheiro para construir presídios, o governo tem que abaixar a taxa de juros", protesta o diretor da UJS.

Durante a parada em frente ao prédio da Vale do Rio Doce, os partidos políticos presentes no ato puderam se expressar, como fizeram, além do PT e PCdoB, PSol, PSTU, PCR, PCB e PDT.

Um dos organizadores do Plebiscito sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, Vito Gianotti, chamou as pessoas a participarem do plebiscito e a batalharem por um futuro socialista.

"Esse plebiscito não é o início e nem o fim. Também devemos ser contra todo o projeto neoliberal expressado nas reformas da previdência, sindical e trabalhista. E sermos soldados dessa batalha que tem como horizonte um futuro socialista, seja daqui há 10, 15, 20 anos. Não importa!".

"Educação como Prática da Liberdade"
A frase acima, de autoria de Paulo Freire, estava escrita em adesivos trazidos por estudantes. Durante o percurso, a bateria do Colégio Pedro II, da Tijuca, animava os manifestantes acompanhando as músicas e palavras de ordem puxadas desde o carro de som.

Uma carta com 18 pontos de reivindicações sobre a educação deveria ser lida em frente ao prédio do Ministério da Educação no Rio de Janeiro. Os tópicos falam na ampliação do investimento público na educação pública para no mínimo 7% do Produto Interno Bruto, bem como no passe-livre estudantil e no fim do vestibular.

A leitura da carta foi prejudicada por um conflito entre parte dos estudantes presentes, que têm divergências sobre o governo Lula. Mesmo durante o conflito, as falas no carro de som não cessaram e pediam calma. Inclusive vaias foram puxadas para aqueles que estavam brigando.

O conflito não resultou em agressões físicas, excetuando-se empurrões, e foi dissolvido por estudantes que não estavam de acordo com o confronto e por membros do MST. Ao contrário do que consta em outros meios de comunicação, esse incidente não foi o principal ponto da atividade, como mostra essa reportagem e não reflete a postura do conjunto dos estudantes presentes na manifestação. Os dezoito pontos foram mencionados durante todo o percurso do ato.


Clique aqui para assinar nosso jornal impresso


Este site é melhor visualizado na resolução de 800 x 600 pixels.
© 2004 Fazendo Media - por Kzal Design