
Editor: Bruno Zornitta - contato@fazendomedia.com
23.09.2006
BANCÁRIOS ENTRAM EM GREVE NA TERÇA-FEIRA
Após 5ª rodada de negociações, banqueiros não apresentam proposta

Mega/Sindipetro-RJ
Por Bruno Zornitta - contato@fazendomedia.com
O Comando Nacional dos Bancários decidiu indicar greve de 24h em todo o país na próxima terça, dia 26/9, após a quinta rodada de negociações com a Febraban, realizada nesta terça (19/9). A decisão pela greve se deu após os banqueiros anunciarem na mesa de negociações que não tinham qualquer proposta a apresentar.
"Verdadeiros sanguessugas, só sabem cobrar o cumprimento de metas, demitir em massa e sobrecarregar toda a categoria. Mas na hora da negociação cinicamente alegam 'dificuldades' para atender às reivindicações e, apesar dos lucros recordes a cada ano, decidem manter o reajuste zero", protestava o jornal Folha Bancária desta quarta-feira (20).
Serão realizadas assembléias em todos os estados, na próxima segunda-feira (25/9) para aprovar a deflagração do movimento. No Rio de Janeiro, a assembléia será na Galeria dos Empregados do Comércio, na Avenida Rio Branco, 120, sobreloja, às 18h30.
"Está na hora de darmos aos banqueiros a mesma lição do ano passado, com uma grande greve contra o desrespeito e o reajuste zero", declarou o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Vinícius de Assumpção.
Os bancários reivindicam aumento real de 7,05%, mais a inflação no período entre 1/9/05 a 31/8/06, PLR equivalente a 5% do lucro líquido linear para todos, mais um salário bruto acrescido de R$ 1.500, respeito à jornada de 6h de trabalho, piso da categoria no valor de R$ 1.500 (valor atual: R$ 839,93), auxílio creche/babá de um salário mínimo (valor atual: R$ 165,34), cesta alimentação de R$ 300,00 (valor atual: R$ 230,02), gratificação de caixa de R$ 500,00 (valor atual: 226,65), 13ª cesta-alimentação e 14º salário. A minuta de reivindicações foi entregue à Febraban há um mês e meio.
* Publicado no jornal Surgente, número 1086.
Nota da Redação:
O lucro dos maiores bancos do país gira em torno de 4 bilhões de reais por ano. Só o lucro. Além da questão financeira, há o terrorismo psicológico praticado contra os bancários, geralmente expresso na forma de assédio moral. Essa agressão consiste em pressionar o trabalhador de inúmeras formas para que ele atinja determinadas metas de venda, e na maioria das vezes se trata de uma chantagem implícita.
Como registrou a psiquiatra Marie-France Hirigoyen, uma das maiores estudiosas do tema, o assédio moral consiste em "toda e qualquer conduta abusiva que se manifeste sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos e escritos que possa trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho".
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