
Editor: Bruno Zornitta - contato@fazendomedia.com
20.03.2006
CAMPANHA CONTRA A BAIXARIA CHEGA AO RIO
Reunião na Alerj, amanhã, discutirá os primeiros passos
Por Bruno Antunes - contato@fazendomedia.com
A construção do núcleo carioca da campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania" estará em discussão nesta terça-feira, 21 de março, na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A reunião será realizada na sala 316, às 14h horas, e contará com os organizadores do projeto, que discutirão o processo de formação do núcleo.
A campanha, em parceria com entidades da sociedade civil, tem como objetivo resgatar o respeito aos direitos humanos e à dignidade do cidadão nos programas de TV. Para isso, será feito um acompanhamento periódico na programação da televisão para indicar os programas que violentam os princípios constitucionais dos direitos humanos. Este acompanhamento é feito pela Comissão de Acompanhamento da Programação de Rádio e Televisão (CAP), e conta também com denúncias de cidadãos e de entidades. Se for comprovada a violação dos direitos, a Coordenação irá negociar com os responsáveis possíveis mudanças na programação.
Uma das maiores preocupações dos organizadores é que não seja feita uma associação da idéia da campanha com uma censura. "Não pode ser censura por se basear na legislação vigente e em pactos relacionados à temática dos direitos humanos assinados pelo governo federal. Trata-se, portanto, de afirmar posições políticas que implicam em políticas culturais", diz o professor da Universidade Federal Fluminense Adilson Cabral, responsável pela criação do núcleo da campanha no Rio de Janeiro.
A campanha vem seguindo no Brasil com muito sucesso. Além de conseguir fazer com que a sociedade discuta o conteúdo da programação que entra em sua casa através da TV ou do rádio, conquistas significativas já marcam sua trajetória, como por exemplo a derrubada do programa "Tardes Quentes", do apresentador João Kleber. Porém, Adilson Cabral deixa claro que a idéia de vetar programas não é o objetivo. "A campanha procura fazer valer o respeito à sociedade por parte dos meios e do que eles veiculam. Se existe o desrespeito à condição de mulheres, homossexuais e outros segmentos sociais, cabe àqueles que concedem o direito de transmissão a responsabilidade com o tipo de programação veiculada pelos meios que detêm essas concessões".
Uma outra forma encontrada para cuidar da programação é sensibilizar anunciantes a não veicular seus anúncios em programas que estimulam a "baixaria", fechando assim, cada vez mais, o cerco aos programas que desrespeitam os direitos humanos e a dignidade do cidadão. Porém, a principal forma ainda é a denúncia, que pode ser feita pela página www.eticanatv.org.br ou por meio do telefone 0800-619619. A ligação é gratuita.