
Editor: Bruno Zornitta - contato@fazendomedia.com
16.09.2006
COMEÇA JORNADA PELA LIBERTAÇÃO DOS CINCO HERÓIS CUBANOS
Mobilização marca oito anos de prisão arbitrária de cubanos anti-terroristas
Bruno Zornitta/fazendomedia.com

Manifestantes percorrem as ruas do centro do Rio de Janeiro
Por Bruno Zornitta - contato@fazendomedia.com
Começou nesta terça-feira (12/9) a jornada pela libertação dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos enquanto monitoravam atividades de grupos terroristas de extrema direita em Miami. A data marca oito anos da prisão de Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e René González. Estão sendo realizadas manifestações de solidariedade em vários países, que seguem até o dia 6/10, quando se completam 30 anos do atentado terrorista a um avião da Cubana de Aviação, que matou 73 pessoas.
No Rio de Janeiro, militantes da Associação Cultural José Martí, Rede de Solidariedade Cuba-Brasil, Círculos Bolivarianos Leonel Brizola e União da Juventude Comunista realizaram um ato público no Centro do Rio. Os manifestantes distribuíram panfletos na Cinelândia e depois marcharam em direção ao consulado dos EUA, onde protestaram aos gritos de "Bush fascista, você é terrorista". Por fim, os participantes do ato voltaram à Cinelândia, onde foi exibido o documentário "Missão contra o terror", sobre o caso dos cinco cubanos.
As manifestações internacionais de solidariedade aos Cinco têm o mérito de dar visibilidade ao caso, que os grandes meios de comunicação parecem não julgar jornalisticamente relevante. "Essa jornada de solidariedade tem como objetivo principal informar a população de que existem esses cinco prisioneiros cubanos e que sobre eles pesam acusações que não se sustentaram, inclusive nos julgamentos norte-americanos", diz Aline Castro, da Rede de Solidariedade Cuba-Brasil.
No documentário "Missão contra o terror", o advogado dos Cinco, Leonard Weinglass, afirma que o caso foi marcado por irregularidades do início ao fim. Weiglass cita a prisão e a forma como foi executada, os 17 meses em prisão solitária - totalmente desnecessária - sem liberdade sob fiança, que era necessária nesse caso, e a realização do julgamento em Miami, onde o governo sabia que os réus não poderiam ter um julgamento justo.
A presidente da Associação Cultural José Martí no Rio de Janeiro, Zuleide Melo, também criticou a Justiça estadunidense. Para ela, os cinco cubanos são prisioneiros políticos. "Fazia parte do processo o depoimento do diretor da CIA, do diretor do Pentágono, do diretor do FBI, do general-chefe do serviço de informação do exército americano e todos declararam que os cubanos jamais atentaram contra a segurança dos EUA, que é o que justificaria a prisão", diz Zuleide. Dessa forma, não haveria porque falar em "espiões", como quer fazer crer o governo dos Estados Unidos.
Verdadeiro terrorismo
Aurélio Fernandes, dos Círculos Bolivarianos Leonel Brizola, acredita que a manifestação promovida na Cinelândia foi importante para demonstrar a solidariedade dos movimentos aos Cinco e à luta contra "o verdadeiro terrorismo, promovido pelos Estados Unidos". "Esses cinco companheiros cubanos estavam nos Estados Unidos investigando grupos que já haviam realizado algumas atividades terroristas em Havana e estavam preparando outra série de atentados. Foram presos por estarem lutando contra o terrorismo", declarou Aurélio. Em 45 anos de guerra não declarada, que os EUA travam contra Cuba, foram quase 3.500 cubanos mortos, revela Philip Agee, ex-agente da CIA, em "Missão contra o terror".
Ainda no documentário, o ex-agente conta que Richard Helms, homem que dirigia o programa contra Cuba em Washington, declarara em testemunho à Comissão de Inquérito no Senado dos EUA, em 1975, que os EUA mantinham forças-tarefa atacando Cuba constantemente: "Estávamos tentando explodir usinas de energia. Esta era uma política do governo dos EUA". "Todos nós que trabalhávamos para a CIA nos anos 60 sabíamos dos programas de sabotagem e terrorismo contra Cuba. Chamávamos 'operações para libertação de Cuba'", diz Agee.
Cuba na TVC Rio
A TV Comunitária do Rio de Janeiro (canal 6 da Net) exibe no dia 19 de setembro, próxima terça-feira, debate sobre Cuba com o jornalista Mário Augusto Jakobskind, coordenador do núcleo de jornalismo da TVC Rio e colunista do fazendomedia.com, e Zuleide Melo, da Associação Cultural José Martí. O canal também está exibindo uma série de documentários cubanos, de segunda a sexta-feira, sempre às 12h.