......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



14.08.2007
MST EM CAMPANHA PARA ARRECADAR LIVROS

Por Ana Maria Straube (*)

O MST realiza campanha nacional de doação de livros à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), localizada em Guararema (SP), e aos 60 centros de formação em assentamentos em todo o país, com a meta de arrecadar 150 mil unidades até o final do ano. A iniciativa do movimento já conta com o apoio de intelectuais, professores, escritores, artistas, músicos e personalidades nacionais e internacionais.

"A doação de livros é um meio de crianças, jovens e adultos entrarem em contato com a cultura, um legado da humanidade. Isso vai garantir que os indivíduos tenham discernimento da realidade onde vivem, contribuindo no processo de formação e humanização. A educação é uma das facetas da transformação do sujeito e do próprio movimento", afirma Regina Célia, do setor do educação do movimento.

A Campanha de Solidariedade às Bibliotecas do MST, com o lema "Apóie a Reforma Agrária. Doe livros!", tem como patrono um dos maiores intelectuais do país, o crítico literário e professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo), Antonio Candido. "A biblioteca das instituições do MST é sempre um instrumento fundamental e quem doar livros para estará contribuindo para esse objetivo de elevação do trabalhador rural brasileiro", afirmou o professor.

As doações vão contribuir para a construção de bibliotecas populares nas áreas de assentamentos, acampamentos e também para a ampliação do acervo das coleções presentes em escolas e centros de formação. Além de livros, mapas e audiovisuais, incluindo filmes, discos e cds, são alvos dessa jornada.

'Eu apóio'
“O MST está promovendo uma campanha admirável para a elevação do nível cultural do trabalhador rural brasileiro. Essa elevação é fundamental para que ele possa reivindicar os seus direitos da melhor maneira possível, e para isso é indispensável que ele conte com instrumento de instrução, o principal dos quais é o livro”, analisa Candido.

Um dos méritos da luta pela Reforma Agrária provém da solidariedade recebida pelos trabalhadores rurais de milhares de amigos e amigas. Assim se deu na construção da ENFF, que se configura como símbolo do encontro de dois esforços: a solidariedade da sociedade e o desejo de aprender dos Sem Terra. Atualmente, a biblioteca da Escola Nacional tem cerca de 20 mil livros.

“O MST pode ajudar o Brasil a alcançar o brilhante futuro que o povo do “colosso do Sul” merece. Doar livros para as bibliotecas do Movimento será uma grande contribuição para ajudar o Movimento a realizar as suas importantes tarefas”, declarou Noam Chomsky, ativista e lingüista dos EUA.

"Devemos fazer as doações ao MST porque os livros querem ser lidos pelos trabalhadores Sem Terra e porque os trabalhadores Sem Terra lutam para ser trabalhadores com terra e com livros também", analisa o escritor Eduardo Galeano, que já contribuiu enviando uma coleção de seus livros publicados no país. O escritor Fernando Moraes também já doou uma coleção de livros.

Educação
O MST aprendeu em mais de duas décadas de luta que é preciso romper não apenas as cercas do latifúndio, mas também derrubar as barreiras que impedem o acesso ao conhecimento. A partir dessa lição, foram erguidas escolas itinerantes e mais de 2.500 escolas de ensino fundamental, para 160 mil crianças e adolescentes, além de cursos de educação de jovens e adultos, ensino médio e técnico.

Em 23 anos de história, mais de 22.000 camponeses se formaram no Movimento, somando cursos formais, informais e especialização. Mais de 50.000 mil pessoas já aprenderam a ler e escrever no MST. Atualmente, 5.000 jovens cursam graduação e pós-graduação por meio de convênios com universidades públicas em todas as regiões do país. Mais de 17.500 adultos estão em processo de alfabetização, que envolve a cada ano mais de 2.000 educadores.

"A educação no MST surge como uma necessidade das famílias para organizar o seu espaço de convívio. É imprescindível na vida das pessoas que vivem em uma organização social, tanto para atender jovens e adultos expropriados do direito de estudar, como crianças que precisam de escolas", explica Regina.

As organizações de trabalhadores durante toda a história aprenderam a importância do valor da solidariedade – no sentido mais nobre, de dar aquilo que falta, não aquilo que sobra - para a própria sobrevivência e, no caso do MST, para o avanço na luta pela democratização da terra, desenvolvimento do país e do combate à desigualdade.

Depoimentos
Leia abaixo depoimentos de professores, artistas, religiosos e personalidades que declararam apoio à campanha.

“Como temos vivido aqui muitos anos a problematização da terra, a gente sente a missão do MST como indispensável. E quero dar todo o respaldo possível a essa bela, necessária campanha de doação de livros, cds, livros novos ou velhos, discos, publicações. O MST quer a terra e quer também a saúde, a educação. Quem dá um bom livro, abre uma janela para o futuro. O MST em meio a vários movimentos tem mostrado uma consciência e uma vontade de integrar todas as reivindicações para que o povo do campo seja consciente, culto, livre, solidário. E essa campanha será uma boa ocasião. Queremos Reforma Agrária, queremos reforma educacional, queremos terra, queremos livros.” (Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito do Mato Grosso)

“Eu queria fazer um apelo a vocês: leitores e editores. Doem livros para as bibliotecas dos assentamentos, do acampamentos, das escolas rurais, porque eles serão muito bem aproveitados. São jovens e adultos interessados em todo tipo de literatura. Portanto, não deixe o teu livro dormitar nas estantes sem aproveitamento. Doe, compre, e você que é editor, sobretudo, pode fazer uma boa contribuição aos militantes e participantes do MST.” (Frei Betto, frei dominicano, escritor e ex-assessor da Presidência da República)

“Eu quero dizer aos meus companheiros do MST que eles trabalhem muito nessa doação de livro para que eles signifiquem elevação do número de leitores. Quem lê não apenas sabe mais, vale mais como pessoa humana. Quem lê vai aprender as razões pelas quais é oprimido, pelas quais está deserdado e afastado dos benefícios que a vida tem para enaltecer a mais velha condição que é a condição dimana. É lendo que se avança pelo caminho da vida, pelo conhecimento. Vamos plantar o caminho da esperança através da leitura.” (Thiago de Mello, poeta)

"Peço a todos que façam o que estou fazendo: doe livros ao MST! Se você tem livros na sua casa que você já leu, livros bons que estão na estante, faça uma doação. Essa pode ser a sua contribuição para a Reforma Agrária no Brasil. Estou doando 50 livros da minha autoria: 10 exemplares de 'Olga', 'A Ilha', 'Corações Sujos', 'Chatô' e 'Montenegro' para estimular você, que é leitor, a doar livros ao MST. Ajude a Reforma Agrária!" (Fernando Moraes, escritor e jornalista)

“Estou participando com muito orgulho e com muito empenho para essa campanha do MST para arrecadação de livros. Livros são fontes inesgotáveis de conhecimento, de sabedoria, e portanto, de poder. Portanto, se você possui na sua casa livros que você pode dispor, livros duplicados, livros que você não vai ler mais, que estão parados, entre nessa campanha do MST, doe seus livros, facilite a vida de quem que ler! Ajude ao MST a formar essas lindas bibliotecas Brasil a fora. Vamos ajudar o MST a disseminar pelo Brasil a fora o hábito da leitura. Doe livros para o MST.” (Paulo Betti, ator)

“O livro tem algo de imortal e cada livro fala a todas as gerações é importante que o pessoal do MST se façam amigos dos livros. Os livros são condutores dos povos. É importante que as pessoas que tem livros em casa que já leram, que doem livros, que ajudem ao MST a formar bibliotecas. Por favor, se puder faça um esforço de doar livros para ajudar a formar bibliotecas do MST.” (Leonardo Boff, escritor, teólogo e filosofo)

Em toda a História da Humanidade, os oprimidos só se libertaram através de intensa luta organizada. Para que exista organização consciente, necessários se tornam a força e o saber. O saber cresce com a leitura e, com ela, a força. Temos que ajudar o MST que, com o seu exemplo de luta e forte consciência social, já tanto nos estimulou em nossas vidas. Temos que doar livros, os melhores livros, os mais desafiadores livros para que estimulem nossos irmãos camponeses a buscarem, por si mesmos, mais saber. Para que inventem um Brasil sem a escravidão da terra e dos homens. (Augusto Boal, diretor teatral)

“Eu fui alfabetizado com seis anos, mas aos dezesseis eu aprendi a ler de verdade. Aprendi a saber que os livros eram a maior fonte de informação e que poderiam mudar as minhas atitudes, as minhas ações. Doe livros para o MST. Valeu.” (Marcelo Yuka, músico e compositor)

“Hoje, mais do que nunca, precisamos de livros, muitos livros, todos os livros que a biblioteca da escola já se organizou para receber. Contribua para a realização de um sonho de uma sociedade justa. Doe livros para a Escola Nacional.” (Heloísa Fernandes, socióloga da USP e professora)

“Eu faço questão de participar desse projeto porque acho muito importante colaborar com essa iniciativa de doação de livros para formar bibliotecas para o Movimento porque é aí que está se plantando as bases para a construção de uma nova sociedade baseada na cultura, na educação. E o MST é um dos principais movimentos sociais do Brasil, e é importantíssimo que se tenha o máximo de parcerias desse tipo. E eu faço questão de dar a minha participação apelando inclusive para a consciência das pessoas da importância da formação dessas bibliotecas.” (Fred 04, compositor e vocalista do grupo Mundo Livre S/A)

(*) Ana Maria Straube é jornalista e assessora de imprensa do MST.


Google

Clique aqui para assinar nosso jornal impresso


Este site é melhor visualizado na resolução de 800 x 600 pixels.
© 2004 Fazendo Media - por Kzal Design