
14.06.2007
MST REALIZA CONGRESSO NACIONAL
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com
"Reforma Agrária só com a derrubada do Estado burguês". Esta foi uma das palavras de ordem que abriram, nesta segunda-feira (11), em Brasília, o 5º Congresso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. O encontro contou com a presença de aproximadamente 18 mil trabalhadores de 24 estados do país, que até sexta-feira (15) participam de palestras e seminários, entre outros eventos.
O tema deste 5º Congresso é "Reforma Agrária: por justiça social e soberania popular", que destaca o fato de que a luta dos trabalhadores sem-terra deve ir além da Reforma Agrária. Gilmar Mauro, da direção nacional do MST, defendeu o apoio a organizações internacionais. "Os exemplos são do presente, como na resistência dos iraquianos, numa derrota gradativa aos Estados Unidos. Resistência em Chiapas (México), que se espalha na Venezuela, é vista entre os palestinos e faz parte da história cubana", disse o dirigente.
O presidente de Cuba, Fidel Castro, enviou carta ao Congresso em que elogia o MST. "O Movimento Sem Terra é a genuína expressão da luta por um mundo melhor", assinalou Fidel, que aproveitou para ressaltar a solidariedade entre cubanos e integrantes do MST, que hoje conta com 80 jovens estudando na Escola Latino-Americana de Medicina, de Cuba. Outros 20 já se formaram médicos e 40 iniciam seus estudos ainda este ano. Fidel também saudou a criação da Escola Latino-Americana de Agroecologia, no Paraná, e o uso, pelo MST, do método "Sim, eu posso", que já alfabetizou milhares de jovens e adultos sem-terra no Brasil. "A solidariedade de Cuba com os projetos sociais de alto conteúdo humano não faltará", completou o presidente.
Marina dos Santos [leia aqui sua entrevista ao Fazendo Media], também da direção nacional, enfatizou o caráter internacionalista do MST, sobretudo ao apoiar a luta dos povos latino-americanos. Ao falar do presidente da Venezuela, Marina criticou "a hipocrisia dos grandes meios de comunicação brasileiros, que criticaram a decisão do venezuelano de não renovar a concessão pública da RCTV", conforme registrado na página do MST (www.mst.org.br).
Durante o Congresso foram feitas duras críticas ao governo Lula. "O agronegócio receberá R$ 50 bilhões do governo federal para o financiamento da produção na safra 2007/2008. Já a agricultura familiar ficou com R$ 10 bilhões. A meta inicial era de 500 mil famílias assentadas, mas apenas 85 mil foram assentadas nos primeiros quatro anos da gestão", afirmou o dirigente Gilmar Mauro.
No painel "Conjuntura Política no Brasil", outras posições do governo foram questionadas, tais como: "Manter alianças com partidos historicamente de direita em nome da governabilidade. Indicar quem esteve sempre ao lado do capital financeiro para administração do Banco Central do País. Aprovar o cultivo de transgênicos, apoiar o agronegócio, implementar reformas que tiram ou reduzem direitos trabalhistas e previdenciários. Ficar ao lado dos usineiros e até de interesses do governo Bush".
No fundo, a luta é por uma sociedade mais justa. Como resume Marina dos Santos: "O debate nas bases aponta para a existência de dois projetos que estão em disputa no campo: o projeto do agronegócio, com a interferência das transnacionais que traz uma perda de soberania enquanto nação e, por outro lado, da necessidade da realização da Reforma Agrária como forma de se fazer justiça social neste país; como forma de distribuição de terra, gerar empregos saudáveis e garantir a soberania alimentar dos brasileiros", resume a integrante da coordenação nacional do MST.
Com informações do www.mst.org.br