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Editor: Bruno Zornitta - redacao@fazendomedia.com


12.02.2006
MÍDIA INDEPENDENTE
Coletivo CMI Rio passa por nova fase de organização e planeja retomar projetos

Por Raquel Junia - raquel@fazendomedia.com

A quem cabe o papel de fazer comunicação? De acordo com o Centro de Mídia Independente (CMI) essa atuação deve ser de toda a sociedade, principalmente dos movimentos sociais, que não tem espaço na grande mídia. Qualquer pessoa pode produzir conteúdo para ser veiculado na página eletrônica www.midiaindependente.org ou também reproduzir o que lá está postado. De acordo com a política editorial do centro, só não ficam em exposição conteúdos que tenham, por exemplo, caráter racista e ou homofóbico ou façam propaganda comercial (Em "Política Editorial", no endereço citado acima, estão explicitadas todas as restrições).

O CMI Brasil se estrutura em coletivos atuantes em mais de dez cidades em quase todas as regiões do país. O coletivo do Rio de Janeiro passa atualmente por uma fase de reorganização. As primeiras reuniões já foram realizadas e um projeto já está em prática - a produção de um programa na Rádio Interferência, todas as quintas-feiras, às 20h. A confecção da primeira edição de 2006 do projeto CMI na Rua (jornal impresso colado nos postes) também já está sendo trabalhada. De acordo com um dos participantes do CMI Rio, que se identifica apenas como Marcelo, o primeiro jornal deve trazer uma matéria sobre a rearticulação do coletivo e sobre a questão da luta pela moradia.

Segundo o professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense, Adilson Cabral, o coletivo começou a se desestruturar no início do 2º semestre de 2005. O coletivo CMI Rio foi o tema da tese de doutorado do professor. As movimentações do grupo foram acompanhadas por ele de outubro de 2002 a fevereiro de 2003, período no qual eram realizados reuniões orgânicas e projetos como o CMI na rua.

"Como o CMI é uma organização voluntária, confunde-se muito voluntariado com disposição. Por isso o CMI Rio é muito de lua. Há a necessidade de projetos concretos para que se tenha uma reestruturação", afirma Adilson.

Marcelo acredita que problemas internos na autogestão e na horizontalidade do coletivo, além de fatores pessoais, foram responsáveis pela desestruturação do CMI Rio. "Acho que o vício da centralização tem de ser trabalhado agora para que, se qualquer pessoa tiver que se afastar, o coletivo prossiga normalmente", afirmou.

A aproximação com outros movimentos ligados à democratização da comunicação é, segundo o professor da UFF, uma discussão tabu dentro do coletivo. Marcelo concorda que o tema ainda não foi aprofundado. "Ainda não há uma discussão consistente. Eu acho que a gente deve sim fazer essa aproximação e unir forças no sentido de dar voz àqueles que não tem voz", diz.

A exibição dos vídeos produzidos pelo CMI é outra atividade do Coletivo Rio que está sendo retomada. Para facilitar a exibição, os vídeos foram reorganizados em DVDs. Esse material está sendo exibido na Mostra do Filme Livre do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro. O evento traz 350 filmes independentes e vai até o dia 19 de fevereiro. No dia 10 foram exibidos 30 vídeos do CMI e hoje, dia 12, a partir de 15h, mais 19 vídeos serão mostrados. O CCBB fica na rua 1º de março, número 66, centro.

CMI Brasil
"O CMI Brasil quer dar voz a quem não tem voz e, assim, constituir uma alternativa consistente à mídia empresarial que freqüentemente distorce fatos e apresenta interpretações de acordo com os interesses das elites econômicas, sociais e culturais".

Assim se auto caracteriza o Centro de Mídia Independente, que nasceu em 1999, no ano do "Encontro do Milênio" da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Seattle. A idéia era ter um espaço na internet, independente, onde as pessoas pudessem disponibilizar e reproduzir conteúdos de áudio, vídeo e textos. O CMI Brasil foi estruturado um ano depois, em São Paulo, como desdobramento do movimento anti-globalização. Hoje, de acordo com a própria página eletrônica, existem cerca de 100 Centros de Mídia Independente em mais de 30 países, em todos os continentes.


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