......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



08.02.2007
CAMPANHA EM DEFESA DOS POVOS INDÍGENAS

Por João Pedro Stédile - www.mst.org.br

Estimados companheiros e companheiras de entidades amigas.

Como já devem saber, a empresa transnacional ARACRUZ CELULOSE roubou na década de 70, com a cobertura da ditadura militar, cerca de 18 mil hectares dos povos indígenas Tupinikin e Guarani do Espírito Santo. Roubou também milhares de hectares e expulsou mais de 8.000 famílias de quilombolas, que como não tinham documentos de suas terras, perderam tudo.

Nos últimos meses, se intensificaram as mobilizações pela demarcação da área indígena, que já está identificada e documentada pela Funai (Fundação Nacional do Índio), e que representaria a devolução imediata de 11.000 hectares por parte da empresa.

Toda essa área está tomada por eucalipto, e a própria fábrica da Aracruz está construída em cima do que foi uma aldeia indígena, com cemitério e tudo.

A Funai já apresentou todos os laudos comprobatórios e a empresa não tem mais como recorrer. Falta apenas uma assinatura do Ministro da Justiça para determinar a medição da área. Só que isso tudo está parado desde setembro [do ano passado] na mesa no ministério, que vem sofrendo todo tipo de pressão da empresa.

Uma delas foi em novembro, quando a Aracruz determinou que cada funcionário seu (dos 2.500) deveria recolher determinado número de assinaturas, como se fosse para preservar o emprego, e recolheram 78 mil assinaturas de apoio à empresa transnacional e contra os povos indígenas.

Diante disso, o MST e os movimentos da Via Campesina decidimos nos somar à iniciativa da campanha capixaba contra o deserto verde, que elaborou um abaixo-assinado em solidariedade aos povos indígenas.

Tomamos a decisão de recolher no mínimo 100 mil assinaturas para mostrar que a sociedade brasileira está com nossos povos indígenas e contra a exploração do capital internacional, que há tantos anos nos explora.

Por isso, pedimos que cada movimento, cada entidade, faça um esforço para recolher em todas as atividades possíveis, as assinaturas no formulário [que pode ser solicitado através do endereço eletrônico semterra@mst.org.br]. Multipliquem o formulário e repassem para seus contatos e amigos em seu estado e cidade.

No final do abaixo assinado, está o endereço da FASE-ES, para onde devem ser enviados por correio.

Por favor, veja como podemos ajudar nossos irmãos e ao mesmo tempo derrotar a Aracruz, que é símbolo do agronegócio no país, exporta toda a produção para fazer embalagens no primeiro mundo. Fica com os lucros e deixa a miséria e a degradação do meio ambiente para nós.

Os proprietários dessa empresa são o Banco Safra, que atraiu investidores estrangeiros, o grupo norueguês Loretzen, o grupo Votorantim, e o BNDES.


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