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Editor: Bruno Zornitta - redacao@fazendomedia.com


07.11.2005
"FORA BUSH" LEVA CENTENAS ÀS RUAS DO RIO
Protesto é marcado pelo conflito entre militantes e policiais

Victor Ribeiro/www.fazendomedia.com

"Fora Bush" na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro

Por Victor Ribeiro - ribeiro@fazendomedia.com

Um protesto contra a visita do presidente dos Estados Unidos George W. Bush ao Brasil reuniu cerca de 600 pessoas em frente ao Consulado dos EUA no Rio de Janeiro, na sexta-feira, 4 de novembro. Os movimentos sociais manifestaram seu repúdio à política imperialista de Bush, que promove o terrorismo militar (invasão do Afeganistão e do Iraque), econômico (Alca, bloqueio a Cuba, sangria de recursos por meio do pagamento de dívidas, etc.) e político, como na tentativa de desestabilizar o governo de Chávez, na Venezuela. Nossa equipe acompanhou este protesto, que foi convocado por setores organizados da sociedade civil, como partidos políticos, entidades sindicais e estudantis, além dos movimentos dos trabalhadores sem-terra (MST) e desempregados (MTD).

A concentração começou às 16h, na praça da Cinelândia, no Centro da cidade, onde quatro atores encenaram uma peça teatral em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrava Bush, Roberto Jefferson e o capeta. Pouco antes das 17h, fim do expediente no Consulado dos EUA, os manifestantes marcharam em direção ao prédio, que fica ali perto, na Avenida Presidente Wilson. Chegando lá, com ajuda de dois carros de som, gritavam palavras de ordem, como "Chega, chega, chega de chacina. Fora Bush da América Latina". O protesto seguiu pacífico até às 17h20min.

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Lula, capeta, Bush e Jefferson

Logo depois de queimar uma bandeira dos EUA, um boneco representando George W. Bush e cartolas do Tio Sam, alguns manifestantes mais exaltados resolveram atirar pedras portuguesas contra o prédio do Consulado. Os 14 policiais militares que faziam um cordão de isolamento no prédio (que contava ainda com outros 12 seguranças da representação diplomática) reagiram, puxando bandeiras, batendo com cacetetes e lançando gás pimenta. Mais pedras foram lançadas, além das latas de tinta vermelha que os manifestantes usavam para escrever frases no chão.

De acordo com Acácio Hermann, coordenador da regional Rio do Conlutas, pessoas infiltradas no ato teriam iniciado as agressões contra os policiais. "Mesmo assim, isso não justifica a reação violenta da polícia, que poderia agir de outra forma, já que as pedras não foram atiradas contra pessoas, mas sim, no prédio do Consulado. Alguns ficaram feridos - não sabemos ainda quantos, mas ninguém com gravidade, inclusive eu", explica, mostrando ferimentos no joelho direito. Hermann afirma ainda que atirar as pedras não estava na programação do protesto. Em seguida os participantes do protesto - já em número bem menor - voltaram para a Cinelândia, onde o ato público foi oficialmente encerrado.

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As lentes da imprensa

Já na Cinelândia, entrevistamos um dos manifestantes que atirou pedras no Consulado. Ele faz parte de diversos movimentos sociais, deixou bem claro que não era nenhum infiltrado e não concorda com a atitude da polícia. "Estávamos fazendo um ato contra o governo norte-americano e a nossa polícia, que é paga por nós e é explorada por eles, estava defendendo eles. Deveriam ter é se juntado a nós, para jogar tinta e atirar pedras, mesmo porque nosso alvo não eram as pessoas, mas o prédio do Consulado", justifica. Apesar do conflito, ele avaliou como positiva a manifestação: "Serviu para mostrar que a massa não está estagnada. O povo acredita na luta e veio para a luta".

Alguns políticos também marcaram presença, entre eles o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), que considera "Bush um artífice da morte, líder da matança, o que há de mais retrógrado no século 21. Os valores de igualdade, soberania e independência não condizem com aquilo que o governo norte-americano defende". Sobre as boas relações entre Lula e Bush e os elogios que o presidente estadunidense fez recentemente ao Brasil, Chico Alencar disse acreditar que este clima de amabilidade vai além da democracia e seria inaceitável. Ele assegurou ainda que "Bush elogiou Lula e uma parte do governo está com vergonha disso".

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Ernani Dornellas: pelas causas populares desde os nove anos

O estudante Rafael Gomes, de 17 anos, disse que estava ali para protestar contra o imperialismo. Ele vestia uma camisa azul, com um enorme "m" amarelo, de McDonald's, estampado na frente. Na perna direita do "m", o famoso Ronald McDonald sendo enforcado. Rafael ficou sabendo da manifestação durante uma aula de sociologia no Colégio Estadual Herbert de Souza, onde cursa a terceira série do ensino médio.

Além de muitos jovens e de militantes filiados a partidos políticos e movimentos sociais, havia também quem se declarasse independente. É o caso do aposentado Ernani Dornellas, de 68 anos, que durante toda a vida trabalhou no Ministério da Educação. Ele se diz "militante das causas populares": "Aos nove anos de idade meu pai me levou pela primeira vez a um comício, na cidade de Rio Grande (RS), e nunca mais deixei de participar ativamente da vida política do meu país", conta. E Dornellas continua: "Hoje estou aqui contra o governo norte-americano e não contra o povo norte-americano. Sou contra esta política de agressão aos povos, praticada pelo Bush".

George W. Bush chegou à Brasília no sábado, dia 5 de novembro, e passou menos de 24 horas no país. Horas antes de ir embora, saboreou um churrasco em companhia do presidente Lula, na Granja do Torto, residência oficial da Presidência da República, o que resultou em críticas das oposições de esquerda e de direita. Chico Alencar, por exemplo, esbraveja e diz que "o dinheiro para pagar este churrasco sai do bolso do povo e isso é um desrespeito aos brasileiros". Outro deputado federal, Babá, também do PSOL do Rio, foi além e afirmou que a carne servida a Bush deveria estar contaminada pela febre aftosa.

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"Fora Bush" na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro


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