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23.10.2006
ELEIÇÕES NO EQUADOR
Candidato conservador ameaça processar adversário e rádio alternativa

Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Apenas cinco dias após o primeiro turno das eleições equatorianas, o empresário Álvaro Noboa (27% dos votos) ameaçou processar seu adversário, Rafael Correa (23%), e a Rádio La Luna. Os dois candidatos decidirão as eleições no dia 26 de novembro.

Em discurso proferido nesta sexta-feira (20), Noboa afirmou "que devem ser processados todos os culpados do golpe de Estado contra Lúcio Gutierrez. Para tanto, primeiro há que se iniciar um processo de investigação contra as seguintes pessoas: Rádio Luna, os financistas da Rádio Luna, Rafael Correa que esteve [envolvido] no golpe contra Lucio Gutiérrez".

A Rádio La Luna foi o principal veículo alternativo a furar o bloqueio informativo em maio do ano passado, quando um levante popular tomou as ruas de Quito e exigiu a renúncia do presidente Lúcio Gutiérrez, que havia sido eleito com uma plataforma de esquerda, mas, uma vez no poder, governou para os conservadores. A La Luna afirma, em sua página (www.radiolaluna.com), que as ameaças de Noboa constituem um ataque à liberdade de imprensa.

Contexto de incertezas
O candidato Álvaro Noboa disputa as eleições pelo Partido Renovador Institucional Acción Nacional (PRIAN) e desde 1998 tenta conquistar a presidência da República. Seus principais negócios estão voltados para a exportação de bananas (quinto maior do mundo), farinha, café, finanças e mercado imobiliário. Noboa mantém um apartamento na Quinta Avenida, em Nova Iorque.

Seu adversário, Rafael Correa (Alianza Pais), realizou uma campanha parecida com a do boliviano Evo Morales, sobretudo ao propor a "refundação do Equador numa Assembléia Constituinte". Correa também se declarou admirador de Hugo Chávez, presidente da Venezuela.

Seja qual for o resultado das urnas, o mais provável é que a política equatoriana tenha um futuro intranqüilo. Seja pela falha do sistema de apuração brasileiro E-Vote - o mesmo que administra as eleições no Brasil, o que permitirá a contestação do resultado -, seja pelo histórico recente do Equador, que teve os últimos três presidentes impedidos de terminar seus mandatos - por golpes ou levante popular.


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