
14.05.2007
SMOKE FREE, A ÚLTIMA TENTATIVA
Por Carol Morandini, de Londres - carol.morandini@uol.com.br
Seguindo os passos de outros países, como Itália e Espanha, a partir de primeiro de julho deste ano passa a vigorar em todo o Reino Unido a lei do SMOKE FREE. Ou seja, chegou a vez de os fumantes britânicos largarem o cigarro ou fumarem em casa. Nada de happy hour com cerveja e cigarro, nada de jantarzinho na área de fumantes, nada disso é permitido - agora eles são a bola da vez. É PROIBIDO FUMAR.
A campanha contra os fumantes já vem ocorrendo há muito tempo numa tentativa de conscientizar os fumantes sobre os males que o fumo pode trazer. Propagandas pesadas de pessoas sendo fisgadas por anzóis foram introduzidas no ano passado, mostrando na televisão, meios impressos e outdoors, bocas perfuradas por anzóis numa alusão de que o tabagismo vicia e que, portanto, é melhor evitá-lo antes de ser capturado por ele.
Não que tenha levado muitos a largar o cigarro, ao contrário. As propagandas causaram extremo desconforto aos cidadãos, que manifestaram-se em inúmeras reclamações à ASA (Advertising Standards Authority) devido ao conteúdo assustador das imagens. Tais propagandas, segundo o público, poderiam horrorizar principalmente crianças e, por este motivo, sua continuidade foi proibida.
De qualquer forma, ao andar por pubs, discotecas e restaurantes, o que mais se encontra são mãos que seguram cigarros, neblina e o odor que só sai depois de um bom banho. Apesar desta grande parte ser adepta do cigarro, a campanha do Smoke Free não permitirá mais o fumo dentro de estabelecimentos públicos, comerciais, fechados e, ainda, parques - mesmo estes sendo ao ar livre.
A lei é bem clara: não se pode fumar. Quem quiser deve sair do estabelecimento e depois retornar. Não existirá mais áreas de fumantes e não fumantes, simplesmente não é permitido. Os fumantes agora terão de se acostumar a degustar um bom vinho, cerveja ou cafezinho sem o adicional "cigarro".
Bom para uns, terrível para outros. A lei tem trazido e ainda trará muitas discórdias, mas todos parecem estar se conformando com a nova situação. Adesivos e folhetos informativos já são distribuídos por todas as partes. Alguns estabelecimentos já aderiram e outros têm até o dia 30 de junho para se adaptar. Se o rendimento cairá, só esperando para ver.
Falta pouco e, como dizem os folhetos, esse é o último momento para um trago. No início a dificuldade é real para os fumantes, porém o benefício existe, afinal, a impossibilidade pode, quem sabe, gerar aos poucos a falta de vontade. E isso um dia pode fazer com que muitos deixem para trás um daqueles vícios de que o corpo não precisa. Que venha o primeiro de julho.