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08.09.2007
EVO ACUSA EUA DE FINANCIAREM OPOSIÇÃO

Do jornal Brasil de Fato - www.brasildefato.com.br

Os Estados Unidos estariam financiando um movimento contra-revolucionário na Bolívia. Essa foi a denúncia feita pelo presidente Evo Morales, nesta segunda-feira (27/8), em meio ao crescente clima de polarização no país. O boliviano afirmou que tomará medidas se persistir essa intervenção em assuntos internos da nação andina.

A declaração do presidente boliviano é uma resposta à nova ofensiva da oposição, que conseguiu paralisar os trabalhados da Assembléia Constituinte, incumbida de redigir a nova Constituição do país. Um dia antes, o vice-presidente Alvaro García Linera afirmou que os Estados Unidos estavam sustentando o trabalho de um grupo de intelectuais conservadores, compostos por ex-autoridades de governo, que fomentam a resistência ideológica e política da oposição.

As acusações são feitas após a Assembléia Constituinte decidir paralisar seus trabalhos no dia 23. A justificativa foi o temor de que as manifestações resultassem em violência. Em Sucre, onde está localizada a Assembléia, 300 pessoas entraram em greve de fome após a Assembléia decidir excluir da agenda a proposta de retirar de La Paz a sede do governo e do Congresso.

Regionalismos
A estratégia da oposição para frear a agenda do governo de Evo Morales tem sido fomentar a divisão do país por meio de temas regionais. A atual cartada dos partidos conservadores é a demanda de retirar as sedes do Executivo e do Legislativo da cidade de La Paz e levá-las para Sucre.

Um tema de velha data, que remete à Guerra Federal, em 1899, quando após um conflito civil comandado pelas elites do país, prevaleceu a opção por La Paz. Os movimentos sociais bolivianos se opõem à medida porque avaliam que tem como objetivo reduzir o poder da pressão social sobre os governantes. La Paz fica próxima a El Alto, um município pobre, de maioria indígena a exemplo da população boliviana. Os habitantes da região protagonizaram ao lado dos movimentos camponeses um histórico de mobilizações sociais que culminaram na queda de dois presidentes no início da década – Gonzalo Sanchéz de Lozada (2003) e Carlos Mesa (2005). Já as lideranças políticas conservadores, sobretudo na porção oriental da Bolívia, como o Departamento de Santa Cruz, argumentam que Sucre teria melhores condições de representar a totalidade do país, pois fica na zona central.

“Apenas quando houver garantias para o normal funcionamento da Assembléia Constituinte, sem pressões, retomaremos os trabalhos”, afirmou a presidente do órgão funcional da Assembléia, Silvia Lazarte, membro do Movimento Al Socialismo (MAS), partido de Evo. Segundo o chefe da Polícia Nacional, o general Miguel Vázquez, a organização Unión Juvenil Cruceñista estaria incitando o uso da violência contra delegados da Assembléia e meios estatais de informação.

Já o porta-voz da Presidência, Alex Contreras, acusou os professores da Universidade San Francisco Xavier de pressionar os estudantes para participarem de protestos de rua. Em uma das ações protagonizadas pelos universitários, jornalistas do pequeno prédio da Rádio Pátria Nova foram agredidos. Contreras afirmou que autoridades municipais de Sucre também estão estimulando os protestos. Movimentos sociais e indígenas, por sua vez, fizeram uma marcha pelas ruas de Sucre no dia 27 e anunciaram que vão montar um acampamento, em setembro, em defesa da Assembléia Constituinte, cujo desafio é apresentar até 14 de dezembro o projeto de uma nova Constituição.


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