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A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



03.01.2007
A EXECUÇÃO DE SADDAM HUSSEIN

Por Laerte Braga - contato@fazendomedia.com

O estilo texano de matar prevaleceu no Iraque. A velha forca do velho oeste executou o ex-presidente Saddam Hussein. Não existe diferença entre Saddam, ex-aliado dos Estados Unidos, e Osni Mubarak, presidente do Egito. Mubarak é intransigente defensor das políticas de Washington para o Oriente Médio. Com certeza não vai ser enforcado.

O enviado divino George Walker Bush disse que Saddam teve um julgamento justo e sua execução foi um "exemplo de maturidade da jovem democracia iraquiana". As principais organizações de direitos humanos do mundo condenaram a execução e denunciaram o julgamento parcial.

Farsa montada pelos norte-americanos no melhor estilo John Wayne para servir de exemplo àqueles que ousam desafiar os grandes rancheiros, hoje, as grandes companhias de petróleo.

Saddam, nos momentos finais, desde o início do julgamento, quando negou legitimidade ao Tribunal, recobrou a dignidade. Recusou o capuz e enfrentou o carrasco de olhos abertos e carregando um exemplar do Corão.

Como não respeitam coisa alguma que não jogo de basquete, hambúrguer com catchup e acham que Hollywood é real (e é), os norte-americanos decidiram executar Saddam no primeiro dia de um feriado muçulmano. O dia do sacrifício. É que Bush e os americanos de um modo geral acham que sacrifício fazem eles ao "libertar" o Iraque. "Muitos sacrifícios ainda terão que ser feitos pela democracia no Iraque", disse o sócio de uma companhia petrolífera do Texas, ora na presidência da maior nação terrorista do mundo, os Estados Unidos.

A preocupação das autoridades militares dos EUA no Iraque em insistir no comunicado "oficial" que a execução de Saddam foi feita pelo "governo" daquele país é ridícula. O tal comunicado diz que por medida de segurança o ex-presidente estava numa base americana e ao término do julgamento foi entregue aos iraquianos.

Um dos ministros da "justiça" no Iraque chegou a afirmar que Saddam não seria executado antes do dia 26 de janeiro. Engoliu a declaração. Bush queria Saddam morto o mais rápido possível.

A reação de governos dos demais países árabes contrários à execução é normal. Tem reações populares que coloquem em risco privilégios como os da monarquia saudita. Nos Estados Unidos diversas organizações de direitos humanos, senadores e deputados protestaram contra a execução. O julgamento foi taxado de injusto.

A maior parte dos governos árabes é controlada pelos norte-americanos. A família Bin Laden, por exemplo, é sócia da família Bush nos negócios de petróleo.

Quem conhece os países árabes não tem dificuldades em entender que líderes do tal "governo" do Iraque tenham dançado em torno do corpo de Saddam. É incrível a capacidade dos árabes de se destroçarem, deixando de lado o inimigo comum.

A tomada de Damasco na Primeira Grande Guerra é o retrato desse caos político. Avanços na busca de uma unidade, como é o caso do Hezbollah, são tratados a ferro e fogo pela política dos EUA e seu braço na região, Israel.

Os norte-americanos vão conseguir transformar um ditador de fancaria, com delírios de Nabucodonosor, num mártir da causa árabe. Pelas características de sua morte, o enforcamento, talvez até numa figura maior que Nasser.

Já as principais peças do museu da Babilônia, hoje Iraque, foram levadas de Bagdá para os principais museus norte-americanos. O avô de Bush guardava em casa o escalpo de um chefe indígena.

O mercado que mais prospera no Iraque hoje é o de filmes pornográficos. Um relatório da CIA afirma que é uma das formas de diminuir a resistência de muçulmanos à democracia cristã, ocidental e norte-americana.

Herr Bento XVI, braço do IV Reich no Vaticano, pelo menos até agora, não disse uma palavra sobre o assunto. Deve falar qualquer coisa sobre lamentar a pena de morte, condená-la e nem lá ficar, ou para cá vir. Pelo contrário, anuncia que vem a São Paulo, Brasil (há dúvidas sobre isso) no próximo ano.

O anúncio de Bush que mais "sacrifícios serão exigidos dos norte-americanos para garantir a segurança dos EUA e a liberdade no Iraque", indica que está longe de se concretizar o fim da invasão.

Uma realidade, no entanto, começa a ficar clara. Os norte-americanos estão perdendo a guerra e a execução de Saddam Hussein foi uma tentativa de ofuscar notícias como a que indica que mais soldados morreram no conflito que na ação de 11 de setembro.

E nessa estupidez clássica dos texanos, dois por cento da população do Iraque já morreram. O lucro das companhias de petróleo, esse, no entanto, cresceu com alguns zeros à direita e bem mais.


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