......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



02.05.2007
EUA DIFICULTAM EXTRADIÇÃO DE EX-PRESIDENTE BOLIVIANO ACUSADO PELA MORTE DE 67 PESSOAS
Advogado das vítimas do massacre ordenado pelo ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada garante que não se trata de juízo político

Já está autorizado?
Sim. É como tirar-lhes um privilégio. E quem tirou esse privilégio? Um Congresso em maioria do esquema de governo de Sánchez de Lozada. Com deputados e senadores dessa época, não podiam negar a necessidade de investigar e de sancionar os responsáveis. Tanto respeitamos o direito de defesa de Gonzalo Sánchez de Lozada que estivemos outro ano esperando que o governo de Estados Unidos o notifique, não a solicitação de extradição, mas somente as denúncias que pesavam contra ele.

O governo dos Estados Unidos, com silêncio cúmplice, nos limitou no processo até que se tomaram outras decisões, tomando como jurisprudência o tribunal constitucional, proseguindo assim o proceso investigativo. Agora, temos duas grandes frentes, digamos. Temos uma investigação avançada, ou seja, a evidência necessária para sustentar a acusação em um juízo e estamos diante da possibilidade de uma vez sancionar as pessoas que estão aqui na Bolívia e brigar pela extradição de Gonzalo Sánchez de Lozada.

Como age o governo dos EUA diante desse pedido de extradição?
Philip Goldberg, que é o embaixador dos Estados Unidos aqui, disse há algumas semanas na revista Times dos EUA, que a extradição de Gonzalo Sánchez de Lozada seria teoricamente possível sempre quando não se trate de delitos políticos. Creio que é um exame de democracia para o governo dos EUA, eles falam de democracia, de defesa dos direitos humanos… Creio que essa é uma oportunidade de mostrar isso. Se consideram que os bolivianos são seres humanos como eles e têm direito à justica, têm que extraditar Sanchez de Lozada.

Do contrário, o que estariam consolidando é um sistema de impunidade, no qual os ricos e os poderosos politicamente podem fazer e desfazer e sempre estarão impunes. Estariam mostrando que tudo é um mero discurso demagógico. Estamos frente a essa situação, e nossa consideração é que, para isso, necessitamos da solidariedade de todo o povo latino-americano.

Pode se falar em curto prazo para juízo às pessoas responsáveis pelos massacres que vivem na Bolívia?
Agora o tema passa fundamentalmente por decisões das autoridades. Se a prova aí está, se as pessoas estão aqui também, que falta? Vontade e valor. Isso é o que falta para os que estão aqui. Sánchez de Lozada provavelmente é uma dificuldade maior. Teremos que brigar nos extratos judiciários dos Estados Unidos, mas não há nenhuma limitação legal para que os responsáveis e os co-responsáveis enfrentem de uma vez o juízo.

A única questão que falta é vontade para fazer as coisas bem e o valor para assumi-las, porque os responsáveis não têm poder econômico e relações políticas somente aqui na Bolívia. Gonzalo Sánchez de Lozada tem relações políticas muito fortes em Estados Unidos, é socio de negócios do neto de Rockfeller… Isso dá uma referência do peso que ele tem.

Uma comissão boliviana foi aos Estados Unidos para tentar alguma resposta. Por quem estava composta? O que conseguiu lá?
O que aconteceu foi que, em setembro do ano passado, não tínhamos notícia do que se passava lá com o tema da famosa notificação que nunca se animava fazer o governo dos EUA. Então, as vítimas decidiram que tinham que ir até lá. Lamentavelmente, negaram o visto à pessoa que tinha que ir porque não tinha o dinheiro suficiente que fizesse crer que iria voltar. Algo que é necesario ressaltar é que as vitimas do massacre de setembro e outubro são algumas das pessoas mais pobres aqui. Então, nessa situação, como advogado, me pediram para ir. Eu estava nos EUA, estive no Departamento de Estado, no Congresso dos EUA, nas Nações Unidas, em várias organizações sociais.

Estava lá um pouco compartilhando primeiro, depois pedindo, na medida em que nossa dignidade nos permite, explicações do que estava se passando, porque não notificaram Gonzalo Sánchez de Losada. A Gonzalo Sánchez de Lozada não queriam notificar não porque não cometeu delitos, mas porque havia sido um aliado estratégico do governo dos EUA na implementação de políticas que ajudaram a abrir mercados a eles, às empresas transnacionais por um lado e, por outro, a implementar medidas neoliberais. É um aliado político ao qual é necessário proteger. Quando eu estava lá, se reuniram alguns bolivianos e estivemos em um ato em frente à casa de Gonzalo Sánchez de Lozada, que vive muito comodamente lá, impune, feliz… Não sei se feliz, mas vive livre, bem e segue fazendo seus negócios.

E tiveram alguma resposta?
Não. O Departamento de Estado nos deu uma saída diplomática de que tudo estava em estudo, de que não era nem sim, nem não, que o melhor pode ser 'quem sabe'. No congresso, Gonzalo Sánchez de Lozada havia tomado uma dianteira significativa. Enquanto as vítimas puderam apenas caminhar aqui em um processo com muitas limitações de ordem econômica também, ele já tinha desenvolvido em todos os lugares estratégicos uma campanha midiática e de lobby muito forte, dizendo que ele tinha sido vítima praticamente de um golpe de Estado ou algo assim, que lhe haviam roubado o poder e que agora o estavam perseguindo politicamente e que o único interessado no juízo era Evo Morales, por uma vingança até quase pessoal. Então, o mundo conhece a história absolutamente deformada, não conhece a verdade.

E Gonzalo Sánchez de Lozada, nem na janela apareceu?
Não, nem na janela. Estimamos que não ia fazer isso porque é difícil olhar a verdade, se esconde na falsidade que não vai ter um juízo justo aqui. O irônico de tudo isso é que as vítimas não têm pedido seu linchamento. Iniciaram um juízo e estão esperando pacientemente, há mais de três anos, por esse juízo. Estão aportando provas. Nenhum dos ex-ministros de Gonzalo Sánchez de Lozada que estão na Bolívia, em pese as atrocidades que cometeram, foram agredidos. Nenhuma de suas propriedades foram assaltadas, e esse mesmo respeito seria garantido a ele, estamos seguros.

A Bolívia tem a experiência de haver jugado um ex-ditador e haver setenciado em um juízo que quase chega a dez anos, de Luiz García Mesa. Durante todo o tempo do juízo a Garcia Mesa não tocaram em nenhum fio de cabelo dele. É a tradição que existe no povo boliviano. Mas além das grandes mobilizações que fazem, não são um povo violento, pelo contrário, muito respeitoso da institucionalidade. É o que não convém a Gonzalo Sánchez de Lozada ver.

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Visite a pagina eletrônica do Comitê Impulsor do Juízo de Responsabilidades a Gonzalo Sánchez de Lozada e seus colaboradores, em www.juiciogoniya.org.bo

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