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A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



01.02.2007
CÚPULA DO MERCOSUL MOSTRA UNIÃO ENTRE PAÍSES LATINO-AMERICANOS

Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

A 32ª Reunião de Cúpula do Mercosul, realizada no Copacabana Palace nos dias 18 e 19 de janeiro, no Rio de Janeiro, transcorreu sem sobressaltos. Os presidentes dos países que integram o bloco deram seguimento aos debates que vinham sendo propostos nos encontros anteriores e assinaram acordos importantes nas áreas de política, economia, comércio, segurança e defesa, saúde, educação, desenvolvimento social, cultura, meio ambiente, energia, transporte, ciência e tecnologia.

Um desses pontos, que foi impulsionado durante a presidência do Brasil no Mercosul, foi a "desdolarização" do comércio entre os países do bloco. De acordo com o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, trata-se de um "passo inicial no longo caminho para eventual união monetária".

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, saudou o entendimento entre Brasil e Venezuela, que prevê a destinação de US$ 120 bilhões para a construção do primeiro trecho do Gasoduto do Sul: "Vemos com muita alegria o acordo entre Brasil e Venezuela". No primeiro dia da reunião, foi celebrado um dos acordos mais importantes na área de energia de todo o mundo.

Na "Golden Room" do Copacabana Palace, Hugo Chávez, Lula, José Gabrielli, presidente da Petrobrás, e Rafael Ramírez, presidente da PDVSA, anunciaram a criação de uma empresa mista para desenvolver o campo de petróleo extra-pesado de Carabobo-1 e outra para projetar, construir e operar a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Venezuela pede presença maior do Estado
O presidente uruguaio, Tabaré Vasquez, destacou a importância dos países que têm economias menores. Há um entendimento dos países da região de que é preciso respeitar as diferenças para que haja maior integração regional. Como disse o embaixador argentino no Brasil, Juan Pablo Lohle, "Bolívia e Venezuela são muito bem-vindas ao Mercosul".

O presidente venezuelano aproveitou a ocasião para sugerir aos demais países do bloco que aumentassem a participação do Estado na economia e reafirmou sua posição de lutar pela implantação do socialismo na Venezuela. "Os EUA consomem mais de 20% de toda energia produzida no mundo, mas possuem apenas 5% da população total. O planeta não suporta esse modelo. O capitalismo é o caminho da destruição do planeta", disse Chávez.

O presidente venezuelano também lembrou que o espaço radioelétrico de seu país pertence ao Estado, ao povo. Com isso, Chávez se defendia das críticas de que violava a liberdade de imprensa. "Esperamos que o contrato da RCTV chegasse ao fim e decidimos não renová-lo porque essa empresa viola a Constituição constantemente", afirmou.

Para concluir, Chávez lembrou a seus colegas que "hoje o imperialismo está concentrado sobretudo no plano econômico. O FMI é uma arma do imperialismo norte-americano, o Banco Mundial é uma arma do imperialismo. E tantas outras instâncias", disse ressaltando que "agora nosso Banco Central é nosso". Ele afirmou ainda que das 300 maiores empresas que atuam no âmbito do Mercosul, 40% são transnacionais. E fez um alerta: "Estas grandes transnacionais não estão interessadas em nossa integração; pelo contrário, estão interessadas em nossa desintegração".

Evo Morales Ayma, presidente da Bolívia, pediu pressa e coragem aos presidentes para o enfrentamento dos problemas. "São quase quinze anos de Mercosul em que os problemas sociais se aprofundaram. Há mais pobres hoje. Há famílias oligarcas que só querem o povo para exportar; há famílias que só querem o Estado para roubar. A concentração do capital em poucas mãos não é a solução para os nossos problemas", disse.

Pouco depois, Morales se dirigiu ao presidente brasileiro: "Me desculpe Lula, mas não é possível que a Bolívia continue subvencionando o gás para o Brasil. Vendemos para a Argentina por 5 dólares o metro cúbico e para Cuiabá vendemos a 1 dólar. Não queremos um preço solidário, queremos apenas um preço justo", disse o presidente boliviano.

Integração dos povos mais próxima
As últimas eleições na Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina e Uruguai redefiniram o papel do Mercosul. O que antes era um bloco restrito a integração econômica hoje passa a ser também uma proposta de integração dos povos. Há um claro entendimento entre os países de que é preciso expandir o Mercosul e levar mais investimentos para as áreas sociais.

Na avaliação do embaixador argentino Juan Pablo Lohle, "as iniciativas neoliberais dos 90 chegaram a crises onde fomos excluídos, a pobreza aumentou e os recursos se concentraram em poucas mãos. Isso provocou naturalmente uma mudança no sentir popular em toda essa região", disse.

Com a entrada da Venezuela, iniciada em julho de 2006 e formalizada seis meses depois, há um acréscimo de 7,7% ao PIB total do Mercosul e de 11,6% à sua população. A Bolívia também já é considerada um Estado associado, ao lado de Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai e Venezuela. Chile, Peru, Equador e Colômbia participam na condição de Estados Partes. Para Celso Amorim, "a expansão do Mercosul até o Caribe reforçará a percepção de que o Mercosul é uma realidade continental e ajudará a visualizá-lo como a espinha dorsal da integração da América do Sul".


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