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29.03.2007
PERSEGUIÇÃO A SINDICALISTAS NO FLAMENGO

Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

O Sindicato dos Empregados em Clubes, Estabelecimentos de Cultura Física, Desportos e Similares do Estado do RJ (Sindeclubes-RJ) veio a público denunciar a perseguição política contra integrantes de sua diretoria que trabalham no Clube de Regatas Flamengo.

De acordo com os sindicalistas Rômulo Noronha e José Geraldo Avelino, nem mesmo a imunidade sindical está sendo respeitada pelos dirigentes do Flamengo - o Art. 8º da Constituição Federal registra que "é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei".

Luiz Carlos de Souza, Alexandre da Silva Vieira, Ernestina Rodrigues Vianna, Whulderson de Oliveira Silva e Fernando Lima dos Passos, todos sindicalistas, já foram demitidos pela atual direção do clube. José Geraldo Avelino e Angelita Folgosa Teixeira Soares também foram dispensados, mas o processo de desvinculação empregatícia ainda não foi concluído porque os dois dependem de exames médicos.

Rômulo Noronha, de 60 anos, trabalha no Flamengo desde 1968. É professor de natação e na época da ditadura se engajou na luta política. Foi ele quem, ao lado da psicanalista Helena Besserman, denunciou o psicanalista Amílcar Lobo, o médico que dizia aos torturadores até que ponto eles podiam continuar a seviciar os prisioneiros. Em função disso, passou a ser ameaçado constantemente.

Rômulo também alugou um apartamento em Laranjeiras onde Carlos Mariguela ficaria em suas vindas ao Rio. Acabou sendo preso na Ilha das Flores junto com o advogado Aton Fon Filho, sendo que os dois protagonizaram uma cena tão corajosa quanto insólita: quando os juizes pediram que levantassem para ouvir a sentença, eles permaneceram sentados e disseram: "Não reconhecemos autoridade na Justiça Militar. Só podemos ser julgados pelo povo brasileiro".

Época de ouro
Rômulo também acompanhou de perto a época de ouro do Flamengo, quando o clube venceu cinco campeonatos brasileiros (1980, 82, 83, 87 e 92), uma Taça Libertadores da América (1981) e um Mundial Interclubes (1981), além de sete campeonatos cariocas em 14 anos (1972, 74, 78, 79, 80, 81 e 86).

Nos períodos em que os atletas disputavam muitas competições simultâneas, Adílio, Mozer e Leandro costumavam descansar na piscina, onde jogavam conversa fora. "Zico e Tita eram os que mais gostavam de nadar. Eles perceberam que a natação aumentava o fôlego deles. Isso numa época em que o senso comum dizia que a natação amolecia os músculos", recorda.

Rômulo conta que a perseguição política a dirigentes sindicais começou em 1993, durante a gestão de Luiz Augusto Veloso. Após os salários atrasarem três meses, os sindicalistas organizaram uma greve. Em dezembro, o vice-presidente administrativo Edmundo Santos Silva demitiu mais de cem funcionários, entre faxineiros, roupeiros, porteiros e o pessoal do serviço geral.

Dois anos antes, os sindicalistas haviam organizado uma greve como o Flamengo nunca havia visto. O clube fechou. Nem treino teve. Rômulo e Avelino atribuem a perseguição que a categoria vem sofrendo a essa organização que eles conseguiram articular com os funcionários do clube.

Após o período de Kleber Leite na presidência, de relativa tranqüilidade para os trabalhadores, volta Edmundo Santo Silva e demite todos os funcionários que eram dirigentes sindicais ao longo do segundo semestre de 2000. Aqueles que conseguiram ser reintegrados - com amparo judicial - foram confinados àquilo que chamaram de "sala dos renegados". "A gente ficava lá de braços cruzados, sem ter nada o que fazer. Era pra humilhar mesmo", afirma Rômulo.

Grupo do Edmundo
A preocupação do Sindeclubes-RJ é com a volta de dirigentes ligados ao grupo de Edmundo Santos Silva, o presidente que foi expulso do Flamengo sob acusações de desvio de parte do dinheiro recebido pela parceria com a ISL. De acordo com Rômulo, uma dessas pessoas é a vereadora Patrícia Amorim, do PSDB. "A Patrícia Amorim é ligada ao Edmundo. Foi vice-presidente de Esportes Olímpicos do Edmundo. Agora, quando volta o grupo ligado ao Edmundo, volta a perseguição política aos sindicalistas", ressalta.

José Geraldo Avelino, de 46 anos, é professor de educação física especializado em futebol e trabalha no Flamengo há 15 anos. Dá aula para as crianças, observa, descobre novos talentos. É diretor do Sindesclubes-RJ, mas nada disso foi levado em consideração pelos dirigentes do Flamengo. "Fui demitido pela Patrícia Amorim sem justificativa", afirmou.

O Fazendo Media entrou em contato por telefone com o Clube de Regatas Flamengo duas vezes - uma na segunda-feira (26) e outra na terça-feira (27). Deixamos recado com a funcionária Elza, secretária da vice-presidência, mas ninguém retornou nossas ligações até o fechamento desta reportagem, quarta-feira (28 de março).


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