
Editor: Leon Corrêa - correa@fazendomedia.com
27.06.2006
OUTRO GARFO ITALIANO E A MÍDIA BR
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com
E a segunda-feira começou com o quinto garfo desta Copa, segundo em favor da Itália. Aos 49' do segundo tempo, Grosso (sim, esse é o nome do mergulhador) se atira na área, com o zagueiro de costas, e o juiz marca pênalti. Pênalti de orelha. Só assim mesmo, com a orelha, para o australiano ter derrubado o lateral-mergulhador italiano. Final 1 x 0. Itália nas quartas-de-final contra a... Ucrânia!
Ucrânia, essa outra seleção de qualidade lastimável, protagonizou com a Suíça um dos jogos mais tristes e monótonos de todos os tempos. Seria difícil encontrar na terceira divisão do Campeonato Carioca uma partida mais arrastada, que levou 120 minutos (fora os acréscimos) e uma disputa de pênaltis para ser decidida. Lembrou a final de 1994...
A desclassificação Suíça pelo menos serviu de alerta a Parreira: do mesmo jeito que uma seleção pode ser campeã invicta, outra pode volta pra casa também invicta e, no caso dos suíços, sem tomar um único gol com a bola rolando.
Que caminho o da Itália até as semi-finais... No grupo E, pegou Gana, EUA e República Tcheca. Nas oitavas, enfrentou a Austrália. Nas quartas, vai enfrentar a Ucrânia. Deve vencer, mesmo tendo um time tão medíocre quanto o adversário. Chega à semi-final e pega Alemanha ou Argentina. Aí, sim, começa a Copa para a seleção de Marcello Lippi.
Do outro lado, nossos canários pegam Gana. E, bom que se diga, os africanos fizeram a melhor campanha do grupo E, o grupo da Itália. Gana teria ficado em primeiro lugar se o juiz brasileiro Carlos Eugênio Simon não tivesse deixado de marcar dois pênaltis contra os italianos, sendo um deles indiscutível enquanto o jogo estava 1 x 0.
A propósito, que média de gols horrível. Em seis jogos das oitavas, tivemos míseros 8 gols.
Mídia brasileira
A mídia grande brasileira é rica, faz uma cobertura chapa branca (a favor da CBF, Fifa, e qualquer outro traço de oficialidade), e mesmo assim consegue errar quando arrisca... uma escalação! Como resultado, torna-se tão conservadora quanto o técnico da seleção Carlos Alberto Parreira, cujo político favorito chama-se Carlos Lacerda, o governador golpista da Guanabara que afogava mendigos no Rio Guandu.
Assim, a crônica esportiva consegue operar do mesmo modo que a cobertura política ou internacional. Sempre que acontece um fato que vai contra a sua vontade, trata-se, no máximo, de uma "questão polêmica".
De modo que é uma grande polêmica para a mídia quando Chávez erradica o analfabetismo venezuelano ou empresta combustível a preços abaixo do valor de mercado às populações pobres dos EUA.
Pelo mesmo princípio, é uma grande polêmica a escalação da seleção brasileira contra Gana. Não importa que os "reservas" Juninho, Cicinho, Gilberto, Gilberto Silva e Robinho tenham jogado centenas de vezes melhor que os "titulares". Se o fato contraria a ótica conservadora de que devemos escalar os anciãos de sempre, então a questão de óbvia passa a ser "polêmica".
As marcas
Avançaram às quartas-de-final Adidas (3), Puma (1), Nike (1), Umbro e Lotto (1). A outra vaga será mais uma da Nike (Brasil) ou da Puma (Gana).
Até as oitavas-de-final, Puma havia exibido seu uniforme durante 1.795 minutos somando as apresentações de suas 12 seleções. A Nike vem em segundo lugar com 1.065 minutos; Em terceiro, Adidas com 1.020 minutos. Depois, Umbro com 360 min, Lotto com 355 min, Marathon com 180 min e Joma com 135 min.
O método usado para chegar a esses números foi o seguinte: foram considerados 45 minutos para cada patrocinador por jogo, imaginando uma situação ideal em que a Fifa dedique o mesmo tempo de imagens para cada seleção. Depois multiplicamos esse valor pelo número de partidas disputadas pelas seleções identificando sempre o patrocinador esportivo. As prorrogações (30 min) e as disputas por pênaltis (10 min) também entram na conta.
Claro que o resultado da conta não será preciso, mas serve para nos dar uma idéia de quem está levando sua mensagem por mais tempo ao imaginário coletivo.
Uma ressalva: conforme a competição avança, os jogos recebem mais audiência.
Ranking por patrocinador, atualizado:
Nike: 42 pontos
Puma: 40 pontos
Adidas: 38 pontos
Umbro: 15 pontos
Marathon: 6 pontos
Lotto: 6 pontos
Joma: 0 pontos
Leia outras informações sobre as marcas da Copa aqui e sobre o trabalho escravo empregado por Nike e Adidas aqui.
E leia também:
Nike lidera o ranking das marcas
Parreira, o conservador
Triunfo africano
Mais um garfo na Copa