......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



22.10.2007
EU SOU BRASILEIRO COM MUITO ORGULHO

Por Ricardo Moura (*)

Tudo preparado. Câmara! Luz! Ação! Ação! Ação? Que ação? Nossa, demorou a entrar heim... ufa! 28 minutos do segundo tempo e finalmente a torcida grita com entusiasmo: Brasil! Somente após o terceiro gol a seleção brasileira começava a vencer a partida com certa facilidade sobre a frágil seleção equatoriana.

Foi só o plim plim anunciar, ou melhor, massificar, passar exaustivamente, eu diria, encher o saco sobre a medíocre seleção brasileira, que todos de uma hora para outra viram brasileiros com muito orgulho, com muito amor. É a “Pátria de chuteiras” como diria Nelson Rodrigues.

No jogo de ontem, quando o Maraca recebeu mais de 80 mil torcedores - não poderíamos esperar outra coisa, já que o discurso oficial de minuto em minuto falava do Espetáculo que estava para acontecer - dentre os quais apenas 800, ou seja, 1% de todo o público presente, se deleitava num camarote com ar condicionado, quitutes, sucos e toda sorte de bebidas, DJ’s etc., enquanto 99% dos torcedores, debaixo de chuva, perdiam a paciência com a fraca seleção brasileira, que para os telespectadores dava impressão de um jogo de futebol de altíssima qualidade, já que o nosso querido Galvão se rasgava de elogios à seleção em comparação ao jogo anterior.

Em meio ao culto a Celebridades (dentro e fora do campo), cartazes espalhados entre os torcedores pela Rede Globo de televisão, numa perversa e hedionda manipulação, Galvão com seu típico e usual futebolês tentava ludibriar os espectadores, inclusive fechando o áudio quando os torcedores cantavam uma musiquinha em sua homenagem, ou quando inventavam uma outra para o Love que parece ter recebido carinho especial pela sua falta de competência, habilidade e coisa e tal.

Não é de se espantar que um jogo de futebol da seleção brasileira seja um evento extraordinário, monumental, espetacular, descomunal e por aí vai. Um drible na partida inteira de um jogador torna-se o grande feito do jogo, mesmo quando este jogador, como de costume, não joga nada. Aliás, alguém viu o jogo do Brasil? Ou melhor, a seleção brasileira jogou alguma coisa? Por favor, o placar de 5 X 0 foi acidental.

Ô Dungaaaa!!! Aparece lá na comunidade. Você vai ver craque de verdade. Tem cada moleque danado. Ah! Fala para o Galvão ter cuidado, pois a qualquer momento ele se borra todo.

Gente, não espere que seja de outra maneira. Só há uma única emissora, de maneira democrática, transmitindo os jogos da seleção. Como disse o velho lobo: “vocês vão ter que me engolir”. Agora peraí, engolir o Galvão é dose pro Leão.

Em nossa pátria, um quarto da população está com os pés descalços, ou seja, 40 milhões de miseráveis. Precisamos calçá-los, mas não com as chuteiras da seleção e/ou sob os berros de Galvão. E sim com a resistência, denúncia e luta contra arbitrariedade, a ditadura e a mercantilização da cultura brasileira pela Rede Globo de Televisão.

A gente não vai se ver por aí coisa alguma.

(*) Ricardo Moura é jornalista e morador do Complexo do Alemão.


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