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Editor: Leon Corrêa - correa@fazendomedia.com


22.06.2006
ADIDAS E NIKE PODEM TER 11 TIMES NAS OITAVAS

Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Final da primeira fase em mais dois grupos. No jogo Portugal 2 x 1 México, foi o brasileiro Felipão quem fez história. O técnico que mandava seus gremistas quebrarem a canela do Sávio classificou a seleção portuguesa para as oitavas-de-final.

Esta é a segunda vez na história das Copas que Portugal passa pela primeira etapa. E Felipão tem agora 10 jogos e 10 vitórias consecutivas em Copas do Mundo (sete com o Brasil em 2002 e três este ano).

Portugal agora pega a Holanda, que empatou sem gols com a Argentina na tarde desta quarta-feira. Os holandeses têm um bom time. Como outros bons times há nesta Copa. Nada mais.

Já os argentinos mostraram um futebol de primeira. Na etapa inicial mantiveram a Holanda entocada na defesa. E como joga o Riquelme! Até quando não decide a partida dá pra ver que ele é o centro de equilíbrio dos argentinos. É Riquelme quem organiza o time. Sabe driblar, prende bem a bola, chuta com precisão, além de ter um excelente passe. É como se fosse um Beckham melhorado. Só não é tão badalado, talvez por não ser inglês. Ou metrossexual.

Os outros dois jogos foram Irã 1 x 1 Angola e Costa do Marfim 3 x 2 Sérvia e Montenegro, este último de virada. Um pouco tarde para a vitória dos africanos, é verdade, mas esta foi a segunda da Copa. E pode vir mais uma nesta quinta-feira se Gana derrotar os EUA.

Os quatro jogos já definidos das oitavas-de-final são:

Alemanha x Suécia
Inglaterra x Equador
Argentina x México
Portugal x Holanda

Olhando por outro ângulo, fica assim:

Adidas x Umbro
Umbro x Marathon
Adidas x Nike
Nike x Nike

Nike e Adidas, juntas, começaram esta Copa do Mundo patrocinando 12 das 32 seleções, ou 37,5% do total. Para as oitavas-de-final, levando-se em consideração todas as seleções classificadas, mas ainda sem adversário definido, as duas empresas já garantiram 8 seleções na próxima fase. Podem chegar a 11.

Vamos supor que os EUA caiam fora. Nike e Adidas ainda ficarão com 10 das 16 seleções que disputarão as oitavas-de-final. São 62,5%. Mais que isso. Dos oito jogos da próxima fase, Nike e/ou Adidas estarão representadas em sete deles, a não ser que a Suíça fique em primeiro lugar do grupo G. De qualquer forma, uma quase onipresença. Quase?

Por trás dos técnicos e jogadores em suas entrevistas coletivas, os painéis são repletos de patrocinadores. Mas as empresas alemãs Mercedes-Benz e Adidas se destacam, com espaço privativo na altura da cabeça do entrevistado, sendo que o tamanho de suas marcas é o dobro ou o triplo das demais.

Fora isso, é a Adidas a única empresa de material esportivo desta Copa do Mundo a ostentar duas placas publicitárias em TODOS os jogos até agora, além de vestir juizes, bandeirinhas, gandulas e de fabricar as bolas da competição que, segundo a Fifa, tem cada partida assistida por 500 milhões de pessoas em todo o mundo.

Para terminar, a Adidas aparece no canto superior direito da página principal da Fifa que, segundo a própria, teve 1,2 bilhão de page views na primeira semana dos jogos. A entidade calcula uma visitação média diária de 5 milhões de internautas durante a Copa.

O único outro patrocinador a dividir com a Adidas o campo de visão dos visitantes na página de abertura da Fifa é o Yahoo!. Que não vende camisas, chuteiras, shorts e outros 700 artigos esportivos que a Adidas fabrica. E fabrica, assim como a Nike, explorando trabalho escravo ou semi-escravo em países tipo Indonésia e Vietnã, como detalha o livro "Sem Logo - a tirania das marcas num planeta vendido" (Record), de Naomi Klein.

Abaixo, confira o ranking por patrocinador, atualizado:

Nike: 34 pontos
Puma: 28 pontos
Adidas: 26 pontos
Umbro: 12 pontos
Marathon: 6 pontos
Lotto: 3 pontos
Joma: 0 pontos

Veja aqui outras informações sobre todos os patrocinadores esportivos desta Copa do Mundo.

Seleção brasileira

Na resposta óbvia à pergunta não menos surpreendente dos repórteres sobre o adversário que prefere encarar na próxima fase, veio a resposta do técnico Parreira: "Quem almeja chegar à final não pode escolher o adversário".

Rápido assim pode não chamar a atenção. Mas, olhando com cautela, é preciso ressaltar que "almejar chegar à final" é diferente de "almejar ser campeão". Ato falho do técnico? Paranóia minha? Pode ser. Mas não custa lembrar que nossa seleção é patrocinada pela Nike, que já levou o caneco da vez passada.

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