
Editor: Leon Corrêa - correa@fazendomedia.com
14.06.2006
A ESCOLHA DE PARREIRA
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com
Pra quem ainda tinha dúvidas quanto ao rendimento do Ronaldo que insistem em chamar de fenômeno, a estréia do Brasil contra a Croácia serviu, entre outras coisas, para dirimi-las. Tivemos um atacante lento, mal posicionado em campo, visivelmente cansado e com apenas uma participação positiva durante o jogo (um chute de fora da área por cima do gol). Convenhamos, é muito pouco para o que se espera de um homem de frente da seleção brasileira. E menos ainda para alguém dito fenomenal.
O fato é que o atacante brasileiro está tão mal que não consegue esconder a decadência nem dele mesmo. Isso ficou evidente na coletiva da seleção com o presidente Lula, depois que Ronaldo se mostrou ofendido com uma pergunta. Apenas uma pergunta, pela qual vestiu a carapuça. E ainda teve a cara-de-pau de acusar a imprensa brasileira de criticá-lo. Logo a imprensa brasileira, que o trata como uma divindade, enquanto imprensa e torcida espanhola analisam sua condição física e técnica com isenção e, conseqüentemente, chegam à conclusão óbvia: Ronaldo está fora de forma.
No dia 22 de fevereiro deste ano, em texto publicado nesta mesma seção, já avisávamos: Ronaldo é um fenômeno, sim, mas um fenômeno de mídia. Nada mais que isso. O jogador foi um fenômeno por sua habilidade, força e crescimento desproporcional do corpo, que o colocou durante um certo tempo em nítida vantagem contra os adversários. Só que esse mesmo "superdesenvolvimento" terminou por causar a lesão no joelho, da qual Ronaldo nunca se recuperou plenamente a ponto de voltar a jogar como antigamente.
Nada disso significa que o atacante não possa fazer um ou outro gol durante a Copa. Atacantes podem fazer gols mesmo fora de forma, sobretudo quando jogam numa equipe de craques como a brasileira. Para isso, basta que estejam na posição certa, na hora certa. Agora, o técnico da seleção precisa decidir se quer manter um jogador fora de forma que busca recordes pessoais ou se vai escalar, de fato, o melhor time possível.
Em tempo: Ronaldo e Michael Jordan são os únicos atletas que possuem contrato vitalício com a Nike. Mas é claro que enveredar por este caminho seria ceder à paranóia, como dizem uns e outros. Estes, a propósito, crêem na teimosia do Parreira e no fair play de empresários, mas descartam a força de alguns bilhões de dólares em meio a centenas de contratos.
P.S.: Ao que parece, são apenas quatro patrocinadores nas camisas das 32 seleções: Adidas, Nike, Umbro e Puma. Em breve, veremos como será a pontuação por patrocinador e quais deles chegarão às próximas fases. Meu palpite para o campeão deste ano: Adidas, com a Alemanha, embora tenha gostado mais da República Tcheca e considere o Brasil a melhor seleção do mundial. Justificarei a escolha nos próximos textos, aqui nesta mesma seção.