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A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



13.07.2007
NO PARAPAN, BRASIL É VICE-CAMPEÃO GERAL

Por Marcelo Salles (*) - salles@fazendomedia.com

Os Jogos Parapan-Americanos 2007 serão realizados entre 12 e 19 de agosto, no Rio de Janeiro. Será a primeira vez em que o Parapan é disputado na mesma cidade que os Jogos Pan-Americanos, utilizando as mesmas instalações esportivas e a Vila Pan-Americana para a hospedagem das delegações. A tendência é a mesma adotada pelos Jogos Paraolímpicos - unificar a coordenação no mesmo Comitê. Em Mar Del Plata, sede da última edição oficial do evento, o Brasil conquistou 165 medalhas (81 de ouro, 53 de prata e 31 de bronze), desempenho que garantiu a segunda posição geral na competição.

É verdade que a cada edição dos Jogos Parapan-Americanos o interesse do público tem aumentado, mas a diferença de cobertura da mídia para as duas competições ainda é muito grande. No dia 7 de agosto, por exemplo, há apenas cinco dias para o início da competição, o Globo Online registrava, no alto da primeira página, a volta de Kaká e Ronaldinho à seleção de futebol. Além disso, outras chamadas abordavam Zé Roberto, Romário e as preferências do técnico Dunga. E nenhum destaque para o Parapan.

Descaso da mídia
Ao compararmos a atenção dos meios de comunicação de massa dispensada aos Jogos Parapan-Americanos com o período que precedeu os Jogos Pan-Americanos, constatamos uma diferença brutal. Além de uma grande festa divulgada por praticamente todas as mídias, a contagem regressiva começou pelo menos um mês antes do início da competição.

Para Anderson Lopes, de 35 anos, diretor da Associação Niteroiense de Deficientes Físicos (Andef), a falta de divulgação na mídia tem sido um grande problema, assim como o descaso das empresas que investiram os Jogos Pan-Americanos. "O Pan teve vários patrocinadores e colaboradores e o Parapan não teve o mesmo número de patrocinadores. E aí eu coloco um ponto de interrogação, já que somos todos brasileiros. Aqui no Brasil senti um pouco de descaso da mídia escrita e televisiva. Alguns apoiaram o Pan e não o Parapan. Pra mim, isso é burrice porque acho até que vamos levantar mais vezes a bandeira do Brasil", avalia Anderson, que é portador de paralisia cerebral e já foi recordista mundial em lançamento de disco em 1995 e 1997.

O diretor da Andef subiu ao pódio em Sidney e Atlanta, ocasiões em que trouxe duas medalhas de bronze paraolímpicas para o Brasil. Além disso, ele tem seis medalhas de ouro em Jogos Parapan-Americanos. No Brasil, segundo o IBGE, existem 26 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Anderson lembra que em outros países, como nos EUA, os investimentos nessa parcela da população trazem um grande benefício para todos. E os investimentos passam pela visibilidade conferida pela imprensa.

"É uma mídia muito cruel para o esporte em nosso país, muito voltada para o futebol. Pra gente do esporte Paraolímpico também. Vai tirar muita gente de dentro de casa, deixar de onerar a previdência, deixar de ser vista como peso para a família. Eu sou exemplo vivo, sou portador de paralisia cerebral e foi graças ao esporte que hoje até consigo manter minha família. Nossos políticos não respeitam a lei de acessibilidade no país, principalmente os empresários de ônibus", afirma.

Crítica ao Comitê
Anderson Lopes também criticou o Comitê Paraolímpico brasileiro. "Acho que foi uma falha do Comitê Paraolímpico de construir uma política de esportes. Não apoiou uma campanha de mídia forte. E não foi falta de dinheiro porque hoje o Comitê é beneficiado com recursos da Lei Agnelo Piva, que destina 2% dos recursos da loteria federal para o Comitê Olímpico e para o Comitê Paraolímpico. Acho que o comitê poderia ter feito um trabalho melhor", pondera.

Essas questões remetem ao conjunto de metas sociais prometidas pela Prefeitura do Rio de Janeiro, quesito fundamental para toda cidade que pretende sediar um evento dessa magnitude. Uma dessas metas era a adaptação de 100% dos prédios públicos aos portadores de deficiência - o que não foi realizado pelo prefeito César Maia e nem cobrado pelas corporações de mídia.

Reconhecimento após 10 anos
O Parapan terá a participação de 1.300 atletas e 700 membros de delegações de 23 países que disputarão dez modalidades esportivas. São 231 brasileiros na disputa. Nos Jogos Pan-Americanos participaram 1.300 brasileiros do total de 5.500 esportistas em competição.

A primeira edição dos Jogos Parapan-Americanos foi realizada em 1967, em Winnipeg, no Canadá. A competição reuniu seis países em disputas esportivas entre paraplégicos. As outras sedes do evento foram: Buenos Aires (Argentina, 1969), Kingston (Jamaica, 1971), Lima (Peru, 1973), Cidade do México (México, 1975), Rio de Janeiro (Brasil, 1978), Halifax (Canadá, 1982), Aguadillas (Porto Rico, 1986), Caracas (Venezuela, 1990), Buenos Aires (Argentina, 1995), Cidade do México (México, 1999), Mar del Plata (Argentina, 2003). Dez foram realizadas extra-oficialmente e as duas últimas receberam a chancela do Americas Paralympic Committee (APC).

(*) Texto publicado no jornal do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro.


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