
12.11.2007
NOITE DE GALA EM NITERÓI
Por Isabela Calil - contato@fazendomedia.com
Os alunos da Universidade Candido Mendes de Niterói puderam ouvir grandes nomes que fazem parte do cenário esportivo brasileiro. O debate foi realizado em outubro no auditório da faculdade, que estava cheio para prestigiar a IV Semana de Comunicação da instituição. Esse ano, o tema é Cultura e Linguagens da Comunicação.
Para abordar a relação entre esporte, mídia e paixão estavam presentes o locutor esportivo da Rádio Globo, José Carlos Araújo, o Garotinho; Paulo Emílio, treinador de futebol; Luis Mendes e Afonso Celso Garcia Reis, o Afonsinho, ex-jogador de futebol. O mediador foi o professor da casa, Fábio Azevedo.
Paulo Emílio começou ressaltando a importância da seriedade ao se noticiar uma informação sobre os grandes times: “Não pode haver chute”, afirmou. O treinador também mostrou um panorama de como se dá a preparação de um time. Sobre a leitura do adversário ele foi veemente: “O Brasil é o país que melhor faz a leitura do adversário, o técnico no Brasil enxerga o jogo rápido”.
O segundo a discorrer foi Afonsinho, jogador que brilhou nas décadas de 60 e 70. O atleta começou falando sobre as dificuldades que os jogadores têm hoje para se tornarem profissionais. E, como não poderia deixar de ser, mencionou a relação que existia quando o atleta não era dono de seu próprio passe, “era uma relação escravagista”, disse Afonsinho, que foi o primeiro jogador a reivindicar o passe livre para o jogador, sendo um dos pioneiros nessa conquista. Ao mencionarem a mercantilização do esporte ele opinou: “O esporte negócio é uma face, mas ele pode ser usado como uma ferramenta de promoção social, juntamente com a saúde e a educação.”
Já Luis Mendes, o craque da palavra, lembrou dos velhos tempos: ”Sou do tempo o narrador tinha que conhecer vários sinônimos para bola, pois não podia repetir a palavra duas vezes seguidas. Assisti o futebol brasileiro no início de sua organização.” Os dirigentes dos clubes de futebol foram alvo de suas críticas: “O futebol brasileiro, de cima para baixo é mal dirigido, quem ocupa os cargos mais altos não são profissionais do futebol, estes acabam servindo-se dos clubes para interesses políticos ou escusos.” O que faz Luis acreditar que se deva profissionalizar totalmente o futebol brasileiro. Outro problema comentado por ele foi a escolha do melhor jogador: “Abomino que o melhor jogador nunca seja da América do Sul”. Levando Paulo Emílio completar: “Pára-quedistas administram o futebol. Depois de se tornar treinador, o cara pára, não há um cargo acima. Os diretores são pára-quedistas.”
O último a expor suas idéias foi José Carlos Araújo, que declarou sua preferência pelo rádio: ”O rádio é o veículo que transmite mais emoção, além de permitir mais improvisos, quem sai do rádio e vai fazer programa ao vivo na televisão encontra mais facilidade”. O comentarista esportivo ainda lembrou de quando escrevia cartas para o Luis Mendes, que as respondia na Rádio Globo.