
Editor: Leon Corrêa - correa@fazendomedia.com
12.06.2006
COMEÇA A COPA
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com
Felizmente o futebol não é desses esportes de véspera, como o basquete, em que o favorito sempre vence. A incerteza do resultado final, inclusive, é um dos motivos que elevam o futebol à categoria de “esporte mais popular do mundo”.
O jogo é decidido dentro de campo, em 90 minutos, salvo nas ocasiões em que a máfia do apito intercede. Tradição, experiência e talento são muito bons para engrossar as estatísticas e, claro, influenciam o resultado, mas o que decide uma partida de futebol é a disciplina e a aplicação tática dos jogadores. Em outras palavras, a raça.
E foi justamente a raça de Trinidad e Tobago que garantiu um ponto à equipe caribenha no jogo deste sábado (10/6) contra a Suécia. A mesma raça que narradores e comentaristas confundem com violência, chegando ao ponto de inverter situações como a chegada de sola do atacante sueco no arqueiro Hislop, ao que o narrador, que aparentemente nunca chutou nem lata, perguntou: “Foi normal a entrada do goleiro no atacante?”
Esses mesmo “especialistas” tripudiaram o máximo que conseguiram. “Zebra caribenha” (com direito a vinheta), “Time ruim”, “Nunca participou de uma Copa do Mundo”, “A torcida está comemorando até substituição”. Sua predileção cega pelo time nórdico impediu o reconhecimento das virtudes dos caribenhos, que dificilmente erraram o passe, possuem boa noção de posicionamento (com e sem a bola), além de ostentarem um preparo físico invejável. Isso para não falar da atuação do goleiro, que fechou o gol. Mas, para os “especialistas”, o fato de Trinidad e Tobago ter segurado o empate – mesmo com um jogador expulso aos 30 segundos do 2º tempo – só pode ser creditado às falhas da equipe sueca, cujos torcedores alegremente ostentam chifres coloridos.
Até este domingo, nenhuma partida havia sido vencida por mais de dois gols de diferença e nenhum time se mostrou infinitamente superior ao adversário. Ainda assim, a grande maioria dos resultados até o momento foi favorável às seleções européias. Nenhum lance escandaloso que pudesse decidir uma partida, mas quem acompanha os jogos na íntegra percebe que as pequenas faltas estão sendo apitadas em favor dos “favoritos”. E quem já chutou mais que uma lata sabe que isso basta para decidir uma partida.
Segunda-feira, 12/6, Itália x Gana. Dois pênaltis em favor da seleção africana ignorados pelo juiz brasileiro Carlos Eugênio Simon. Isso enquanto a partida estava 1 x 0 para a Itália.
***
Leia em nosso impresso: “As marcas da Copa” – exaltadas pela mídia corporativa, Nike e Adidas exploram mão-de-obra semi-escrava ao mesmo tempo em que pagam milhões de dólares para estampar suas marcas no uniforme das principais seleções do mundo.
Adidas: França, Alemanha, Argentina e Espanha.
Nike: Brasil, Portugal e Holanda.