Itália e França decidirão a Copa do Mundo de 2006. Duas equipes frágeis, que chegaram à final menos por seus méritos que por conta da sorte, da arbitragem ou da nulidade adversária.
A seleção de Zidane terminou a primeira fase em segundo lugar no grupo G, após empatar com Suíça (0 x 0) e Coréia do Sul (1 x 1), e vencer a seleção de Togo por 2 x 0. Passou pela Espanha nas oitavas (3 x 1), pelo Brasil nas quartas (1 x 0) e por Portugal na semi-final (1 x 0).
No grupo E a Itália foi beneficiada contra Gana pelo juiz brasileiro Carlos Eugênio Simon, que deixou de marcar dois pênaltis para a seleção africana (sendo um deles indiscutível) e nas oitavas-de-final contra a Austrália, pois o único gol da partida saiu de um pênalti inexistente forjado pelo lateral Fabio Grosso.
Nas quartas-de-final a equipe italiana venceu por 3 x 0 a Ucrânia e na semi-final bateu a dona da casa na prorrogação por 2 x 0.
No entanto, qualquer que seja o resultado, os grandes vencedores já têm nome: são os irmãos Adolf e Rudolf Dassler, fundadores da Adidas (França) e Puma (Itália).
Em 54 dos 64 jogos desta Copa terá havido ao menos uma seleção da família Dassler. Um belo índice de 83,4%. A partir das oitavas-de-final, quando as atenções do mundo inteiro estão ainda mais voltadas para a competição, em 13 dos 16 jogos Adidas ou Puma estiveram presentes em campo - ou 81,2%. Nas semi-finais, na disputa pelo terceiro lugar e na grande final, esse percentual sobe para 100%.
A Adidas foi fundada por Adolf Dassler e seus tênis esportivos foram usados pela primeira vez nas Olimpíadas de Amsterdã, em 1928. É dona de 700 patentes de artigos esportivos e foi a primeira empresa a usar atletas para divulgar sua marca, entre os quais Jesse Owens, Muhammad Ali e Franz Beckenbauer. Em 31 de janeiro deste ano, adquiriu por US$ 3,5 bilhões a Reebok International Ltd.
O nome da marca vem da união das sílabas iniciais do apelido de seu fundador (Adi) e seu sobrenome (Dassler). Nesta Copa, a Adidas patrocinou as seleções da Alemanha, Espanha, Trinidad e Tobago, Argentina, Japão e França.
Além de estampar o uniforme da dona da casa, a Adidas é a única empresa de material esportivo a exibir duas placas publicitárias em todas as partidas (até o momento), vestir os trios de arbitragem, os gandulas e a fornecer as bolas dos jogos desta Copa do Mundo de 2006.
Ao lado da Nike (vencedora da última Copa), a Adidas é acusada de violação dos direitos humanos por explorar trabalho semi-escravo em países como Indonésia e Vietnã. A escritora Naomi Klein registrou os detalhes em seu livro "Sem Logo - a tirania das marcas em um planeta vendido" (Record, 2003).
A Puma foi a empresa que chegou nesta Copa com o maior número de seleções patrocinadas: 12. Fundada pelo irmão de Adi Dassler, Rudolf Dassler, a Puma vem exercendo um forte trabalho de consolidação de sua marca.
Trabalhou com empenho para estampar seu desenho nos uniformes das seleções da Polônia, Paraguai, Costa do Marfim, Angola, Irã, Gana, República Tcheca, Suíça, Togo, Arábia Saudita, Tunísia e Itália, que havia disputado a Copa anterior sob patrocínio da Nike.
Qualquer que seja o resultado, já errei a previsão. Achei que fosse dar Alemanha. Porque além de ser a dona da casa, é patrocinada pela Adidas.
Embora a multinacional alemã ainda não esteja fora da disputa, se vencer será com a França. De qualquer jeito, a vitória das marcas ficará com uma empresa de origem alemã. Mais precisamente, com a família Dassler.