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Editor: Leon Corrêa - correa@fazendomedia.com


04.10.2005
POLITICAGEM NA CBT

Por Vinicius Moreira - redacao@fazendomedia.com

O final de semana retrasado foi marcado pela vitória brasileira sobre os uruguaios por 3 a 2 na Copa Davis, espécie de copa do mundo de tênis, conquista esta que levou o Brasil para o chamado Grupo 1 da Zona Americana, espécie de segunda divisão do torneio.

Mas por que um país com tamanha tradição no tênis mundial conseguiu decair até a 3ª divisão deste campeonato? Como em quase todo o Brasil, motivos substancialmente políticos conseguiram sujar uma história marcada por grandes jogadores como Maria Esther Bueno, tricampeã de Wimbledon e vencedora de mais de 589 títulos internacionais, e Gustavo Kuerten, tri-campeão de Roland Garros e ex-primeiro do mundo no ranking da ATP.

Tudo começou quando, em 1994, Nelson Nastás assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e conseguiu se manter no poder até 2004 quando, graças a uma ofensiva iniciada em 2003 por Jorge Lacerda Rosa, foi cassado sob a acusação de irregularidades e apropriação indébita.

Esta ofensiva foi tão efetiva graças ao boicote de Gustavo Kuerten (até então principal tenista brasileiro) à Copa Davis daquele ano. Rapidamente Guga recebeu o respaldo de outros grandes nomes do tênis no país como Flavio Saretta, André Sá, André Mello e Jaime Oncins, que entregou seu cargo como Capitão Brasileiro na Davis.

Imediatamente, aqueles que apoiavam Nastás entraram com uma liminar anulando a posse de Jorge Lacerda e colocando Eduardo Nakamiti no comando do órgão como interventor interino, até que, através da confederação catarinense, Rosa recorreu à justiça federal e conseguiu garantir sua permanência como presidente da CBT.

Apesar de ter surtido efeito no campo político, com a entrada de Rosa na presidência da confederação, a escolha de um novo capitão para a Copa Davis e, enfim, um aparente discurso de renovação e evolução do tênis brasileiro, a desistência brasileira na Copa Davis daquele ano levou o Brasil para o Grupo 2 da Zona Americana, a 3ª divisão do tênis mundial.

E aí surge a principal questão da historia: Jorge Lacerda Rosa era sócio da mãe de Guga em um posto de gasolina em Santa Catarina, e sua entrada no comando da CBT é sabidamente o primeiro passo de apoio a um movimento auto-denominado: a "família Kuerten" no poder. Daí pode ter vindo o incondicional apoio de Kuerten ao boicote da Davis. Além de Guga, Thomas Koch, grande nome do tênis brasileiro da década de 70 e hoje dono de uma empreendedora que organiza torneios de tênis, é outro que deu apoio total ao movimento como forma de exercer maior influência dentro da confederação, acabando com a concorrência de outras empresas na organização de torneios no Brasil, como por exemplo, o aberto da costa do Sauípe, único torneio da ATP realizado no país e que movimenta milhões em cotas de patrocínio.

Fica então a dúvida: será que o motivo principal do boicote que colaborou para a decadência do tênis brasileiro foi realmente político? Ou será que mais uma vez motivos econômicos e pessoais se aliaram para deturpar o ideal de uma massa que gostaria de ver o tênis brasileiro novamente entre os melhores do mundo? Só o tempo dirá...


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