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Editor: Leon Corrêa - correa@fazendomedia.com


01.08.2005
LEONARDO MOURA, O EL CID DOS GRAMADOS
Lateral-direito do Flamengo decide jogos contra Vasco e Botafogo; "entendidos" não se manifestam

Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Na semana passada comecei a esboçar uma crônica sobre Flamengo 1 x 0 Vasco, mas não terminei por estar um tanto quanto assoberbado entre a edição de outras matérias e a atualização deste www.fazendomedia.com.

Hoje o trabalho continua o mesmo, mas serei obrigado a atrasar em um dia a entrada de dois artigos. Não porque sou um apaixonado por futebol (já fui) ou por qualquer outra razão pessoal, mas porque um garoto chamado Leonardo Moura continua sendo injustiçado por narradores, comentaristas e jornalistas em geral.

Contra o Vasco, Leonardo foi disparado o melhor jogador em campo. Boa noção de posicionamento, passe preciso, explosão muscular infinitamente superior a dos demais jogadores e chute forte e certeiro. Essas são apenas algumas das qualidades do lateral-direito, que aliadas a sua inteligência o transformam no jogador mais importante do Flamengo, hoje.

Seu condicionamento físico privilegiado permite que chegue antes nas disputas de bola e desde que acompanho futebol só ousaria compará-lo em tal quesito a Zé Roberto, hoje na seleção brasileira. No jogo contra o Vasco, embora os "entendidos" de futebol não tenham ressaltado, Leonardo esteve perfeito. Participou de todas (todas) as jogadas de ataque do Flamengo, cobrou duas faltas com perfeição (uma passou raspando e outra bateu na trave), sem comprometer a defesa, que podia contar com seu fôlego inesgotável na volta do ataque. Dá pra sentir quando um jogador está totalmente envolvido na partida.

Por isso mesmo o momento decisivo do jogo aconteceu na metade do segundo tempo, quando Leonardo caiu com dores (pareciam câimbras). Felizmente retornou a campo, ainda que tenha visivelmente se poupado desde então. Mas não importa, pois sua presença física garantiu a moral da equipe elevada e teve o mesmo efeito do retorno de El Cid aos campos de batalha, mesmo ferido. Tanto no jogo quanto na guerra pode ser decisivo olhar para o lado e saber que temos companheiros com os quais podemos contar. A referência, o norte e a segurança de quem tem o comando da situação são fundamentais em situações-limite.

No jogo de ontem contra o Botafogo (2 x 0 para o Flamengo) a história não foi muito diferente. Leonardo Moura fez um gol e deu o passe para Jean fazer o segundo. Infelizmente não acompanhei essa partida, pois desde que a televisão comprou o futebol eu me recuso a pagar para sustentar um sistema que aos poucos retira a magia desse esporte, que muito deve à festa das torcidas, que outrora enchiam os estádios. E para piorar, os clássicos são retirados do Maracanã - seja por obras de cunho político, seja por contratos com prefeituras do interior ou com as próprias emissoras de televisão.

Mas, como é bom! Como é bom saber que ainda existem jogadores que contrariam toda essa lógica mercantil e nos proporcionam verdadeiros espetáculos de garra, luta, disposição, força, inteligência e vitória. Se os empresários não atrapalharem, Leonardo Moura chegará à seleção brasileira muito antes de os "entendidos" de futebol notarem que se trata de um jogador fora de série.


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