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Editora: Sheyla Murteira - sheyla@fazendomedia.com


19.11.2005
CRP/RJ DISCUTE DIREITOS HUMANOS

Por Sheyla Murteira - sheyla@fazendomedia.com

O Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP/RJ) realizou o 1º Seminário Regional de Psicologia e Direitos Humanos, no Auditório do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, em Botafogo (RJ), no final de outubro passado. O evento abordou temas como "Direitos Humanos na América Latina", "Direitos Humanos, Neoliberalismo e Práticas Políticas no Cotidiano" e "Direitos Humanos e Práticas Institucionais". Também houve apresentações dos grupos "Cala Boca Já Morreu" e "Harmonia Enlouquece".

A mesa de abertura ("Direitos Humanos na América Latina") foi coordenada por Cecília Coimbra, do CRP/RJ, da UFF e do Grupo Tortura Nunca Mais. Segundo ela, o Seminário despertou lágrimas nos participantes ao ouvirem os depoimentos das representantes dos movimentos das Madres de Plaza de Mayo (que existe há 28 anos), das Mães de Acari e das Mães do Degase.

Hebe de Bonafini, presidente do grupo que iniciou o movimento das Madres de Plaza de Mayo, mostrou o atual panorama político da Argentina, frisando que a violação dos direitos humanos continua hoje, como nos tempos da ditadura. Destacou que seu objetivo é que o Estado assuma a responsabilidade pelo desaparecimento de seus filhos e de outros cidadãos argentinos. Em suas palavras emocionadas: "Com vida os levaram, com vida os queremos" e "nossos filhos vivem em cada movimento estudantil e social que buscam o respeito aos direitos humanos".

Também mães brasileiras que tiveram problema semelhante deram seus depoimentos. Vera Flores, representando as Mães de Acari, que tiveram seus filhos - 11 adolescentes - desaparecidos, contou que nada foi feito até agora para tentar esclarecer a situação; e Mônica Cunha, das Mães do Degase, órgão responsável por cuidar do jovem apontado como infrator, relatou a maneira absurda como são tratados, inclusive os familiares, porque lá "mãe de bandido é bandida". Mônica disse também que "no Jardim Zoológico os animais são mais bem tratados que nossos filhos".

Na avaliação de Cecília Coimbra, o Seminário foi muito importante não só para os profissionais e estudantes de psicologia, mas para os jovens de modo geral, que ampliaram a sua maneira de ver a violação dos direitos humanos no momento atual. Por isso, o CRP/RJ está preparando cópias de vídeo que serão distribuídas a universidades e estarão disponíveis a partir do início do próximo ano.

PS: Cecília Coimbra será nossa entrevistada de novembro e o jornal impresso começa a circular já na semana que vem. Para assiná-lo, clique aqui.


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