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15.08.2005
POR UMA COMUNICAÇÃO POPULAR
Transformar por meio de uma formação crítica e plural a atual estrutura de comunicação é um dos grandes desafios da iniciativa, inédita no país
Raquel Junia/www.fazendomedia.com

Jovens do Afroreggae na inauguração da Escola Popular
Por Raquel Junia - redacao@fazendomedia.com
O Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, na favela da Maré, será também, a partir do dia 29 de agosto, a sede da Escola Popular de Comunicação Crítica. Diversas instituições parceiras - UFF, UFRJ, Observatório de Favelas (OF), Canal Futura, Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, Associação Cultural Afroreggae, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Associação Brasileira de Produção Independente para a TV (ABBI-TV) - são responsáveis por impulsionar o projeto, com uma proposta de produção que utiliza a "própria realidade como fonte de criação e realização profissional", por meio da capacitação em comunicação de jovens de comunidades populares. O resultado poderá ser conferido no decorrer de um ano, período de formação teórica e técnica do comunicador crítico, que poderá se especializar em mídia impressa, mídia em internet, produção em vídeo, fotografia e rádio comunitária.
"Um dos problemas da comunicação brasileira é o grande buraco na informação. Parece que nem moramos na mesma cidade. É sempre gente da elite escrevendo para a gente mesmo. Por isso, diminuir essa distância é o papel que mais me encanta na escola", afirmou Aydano André Motta, representante do Sindicato dos jornalistas do Rio de Janeiro. Aydano fez parte da mesa de abertura juntamente com o coordenador do OF e responsável pelo projeto, Jailson de Souza, o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) do Ministério da Educação, Ricardo Henriques, o representante da ABPI, Luis Antônio Silveira. Também estiveram presentes Muniz Sodré (UFRJ), Jorge Luiz Barbosa (UFF), Chico Otávio, da Abraji, Lúcia Araújo, do Canal Futura e Ecio Salles, do Afroreggae.
Moradores da Favela da Maré, principalmente aqueles já envolvidos em projetos do Observatório de Favelas ou de outras iniciativas como o Afroreggae, estavam presentes no evento, além de profissionais da área de comunicação. A deputada estadual Jandira Feghalli (PCdoB-RJ) também esteve presente e afirmou que, mesmo diante da crise política, é preciso acreditar que existe uma "banda boa" do trabalho político, preocupada, por exemplo, em democratizar a comunicação. Disse também que uma de suas bandeiras é a regionalização da produção cultural.
A importância de garantir que as comunidades desenvolvam seus próprios meios de comunicação, longe do olhar estereotipado da mídia em geral, foi consenso entre os participantes da mesa de abertura. Um grande desafio da escola é assegurar o estabelecimento e fortalecimento de núcleos de comunicação nas favelas e a participação dos estudantes formados no mercado de trabalho, produzindo também para fora dos espaços populares.
"Precisamos disseminar os conhecimentos que adquirimos não nas grandes redações, mas em iniciativas como essa", afirmou Chico Otávio. A princípio, ingressarão na Escola Popular de Comunicação 45 jovens de Vigário Geral, Parada de Lucas, Maré, Manguinhos, Complexo do Alemão e Jacarezinho, que tenham concluído o ensino médio, já envolvidos em experiência de trabalho coletivo e no campo da comunicação. As aulas serão ministradas por professores da Escola de Comunicação da UFRJ e também outros profissionais da área.
De acordo com os coordenadores, uma conquista essencial para o desenvolvimento da Escola Popular de Comunicação Crítica é a instalação de três laboratórios, um de imagens, dedicado à produção de trabalhos em fotografia e vídeo, um de mídia impressa e um laboratório oral para a produção de programas de rádio. A idéia é utilizar, além do quadro humano, o aparato técnico e o espaço das instituições parceiras para a realização das oficinas, o que poderá, de acordo com Jorge Luiz Barbosa, "fortalecer ainda mais o intercâmbio entre os alunos e os parceiros". A UFF e a UFRJ serão responsáveis por fornecerem o certificado de formatura no curso.
Raquel Junia/www.fazendomedia.com

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