
Editora: Sheyla Murteira - sheyla@fazendomedia.com
14.08.2006
UM CARINHO PRESENTE
Marcelo Salles/fazendomedia.com

Mônica Tolipan exibe seu livro "Uma presença ausente"
Por Sheyla Murteira - sheyla@fazendomedia.com
O Fazendo Media teve a satisfação de conhecer a psicóloga Mônica Tolipan, que trata de crianças e adolescentes autistas.
Seu trabalho teve início há 47 anos em Santa Rosa (RS), onde começou a atender crianças excepcionais numa escola da APAE. Inicialmente Mônica fazia uma diferenciação diagnóstica para saber quem era realmente deficiente mental, já que se confundiam crianças retardadas com crianças não estimuladas, ou seja, que não apresentavam alterações neurológicas que justificassem estar naquela escola.
Sua questão básica era saber como se caracterizava uma pessoa como deficiente mental, se ela não tivesse nenhuma lesão cerebral ou alteração neurológica. E isso há mais de quarenta anos, quando não se dispunha dos recursos tecnológicos da atualidade, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada.
Aliás, Mônica destaca o grande mistério que continua sendo o cérebro humano. Assim é que, ao longo desses anos, já atendeu crianças com lesões cerebrais significativas e que, no entanto, não tinham nenhuma falha para responder às solicitações que lhes eram feitas, como uma criança de quem trata atualmente e que é absolutamente normal, apesar da lesão cerebral que possui.
Em suas palavras: "Ela só é meio atrapalhada, mas tem tanta gente normal que também é. Então, você vê que há uma suplência no funcionamento cerebral, que a gente nem sabe como é feita, como numa orquestra, onde um instrumento às vezes supre a falha de outro que está deixando de funcionar".
Foi também em Santa Rosa (RS) que Mônica atendeu a primeira criança autista, caso que despertou sua atenção porque o menino não tinha nenhuma patologia orgânica e, no entanto, era um caso muito grave de autismo. A propósito, foi exatamente esse grande mistério da cisão entre o psíquico e o somático que a intrigou: o corpo extremamente saudável, pois em geral são crianças que não adoecem, e a mente inacessível.
Postulando que essas crianças estariam no que ela denomina "estado hipnótico", Mônica cria seu próprio método de tratamento com base na hipnose, com o qual já tem obtido várias curas, e que ela expõe no seu livro "Uma presença ausente" (Jorge Zahar, 128 páginas).
Na próxima semana, você poderá saber mais sobre o seu trabalho lendo a entrevista que Mônica Tolipan nos concedeu, numa tarde agradável em que fomos recebidos em seu apartamento.