
Editora: Carolina Rangel - rangel@fazendomedia.com
08.08.2005
PARLAMENTO JUVENIL LEVA POLÍTICA PARA A SALA DE AULA
Alunos da rede pública estadual têm a oportunidade de participar da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e discutir propostas de leis
Victor Ribeiro/www.fazendomedia.com

Parlamentares juvenis em ação na Alerj
Por Victor Ribeiro e Malu Muniz - redacao@fazendomedia.com
Boas notas e um grande poder de persuasão. Estes são os dois principais pré-requisitos para quem quer um lugar no Parlamento Juvenil da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) no ano de 2006. O processo eleitoral para esta terceira edição começou no dia 3 de agosto, com a nomeação da comissão eleitoral, e entre os dias 10 e 17 serão conhecidos os alunos que vão disputar a vaga de cada um dos 92 municípios do estado.
O Parlamento Juvenil deste ano ocorreu entre os dias 25 e 29 de julho e teve como temas principais a corrupção e a educação. Curiosamente a assessoria de imprensa da Alerj fez farta divulgação de que a maior parte das propostas apresentadas pelos jovens dizia respeito apenas à educação, mas, de acordo com os próprios parlamentares juvenis, o combate à corrupção foi, sim, o tema principal, além de ter sido também aquele que apresentou maior índice de consenso.
Durante uma semana, os representantes dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro votaram propostas de lei. Aquelas que foram aprovadas serão, gradativamente, levadas para os deputados estaduais analisarem e, quem sabe, colocarem em prática. Bruno Marinho, representante da capital fluminense, não acredita que isso possa ocorrer. Para ele, os membros da Alerj não manifestam interesse real em votar as medidas aprovadas pelos jovens.
O coordenador do projeto, Arlindenor Pedro de Souza, acredita que na edição deste ano os parlamentares se mostraram mais maduros e ressalta que o importante é dar aos jovens a experiência no cotidiano da política e não necessariamente colocar em prática os projetos aprovados pelos estudantes.
Alguns personagens
Estudante da terceira série do ensino médio, Cristina de Oliveira Rosaes obteve 80% de aprovação dos alunos da rede estadual de Japeri, na Baixada Fluminense. Ela faz parte do restrito grupo de parlamentares sem nenhuma ligação com partidos políticos. Também não se envolve com movimento estudantil nem com outra instância política. Mas isso não deve durar muito tempo: "Quero fazer vestibular para medicina, mas gostei muito de estar aqui, fazendo parte da política do meu estado. Já estou pensando num modo de juntar os dois. Talvez um dia eu consiga ser uma secretária de Saúde. Quem sabe?".
Já Thaís Silva Ribeiro, de Valença, município do Médio Paraíba, participou das duas edições do Parlamento Juvenil, sempre apoiada pelo PMDB, partido ao qual é filiada. Ela trabalhou na última eleição, como cabo eleitoral do candidato a prefeito. Nas próximas eleições municipais vai concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores. Acredita que o partido irá dar tanto apoio a esta candidatura quanto deu à sua campanha para chegar ao Parlamento. Para ela, esta ajuda do partido - que ela preferiu não detalhar como foi feita - foi decisiva na conquista da cadeira na Alerj e aproveita para elogiar a gestão de Garotinho que, para ela, está fazendo um bom governo. Anthony Garotinho, secretário de gabinete e marido da governadora Rosinha, é o presidente do PMDB no Rio de Janeiro.
Outro parlamentar que recebeu amplo apoio partidário é o calouro de medicina Bruno Marinho. Ele representa o município do Rio de Janeiro e milita na política "desde pequeno". O tio dele é o vereador Luiz Carlos Ramos, do PSDB. A forcinha do PSDB deu certo: Bruno obteve cerca de 4 mil votos, a maior aprovação em números absolutos. Ele já foi presidente do grêmio estudantil de seu colégio e atualmente é diretor-executivo da Juventude do PSDB.
Já o representante de São Sebastião do Alto (Região Serrana), Jardel da Silva Lamellas, não esperava ser eleito. Deficiente físico, ele anda e fala com grande dificuldade e, por isso, teve de se esforçar muito para se eleger. "Para mim, [ter sido eleito] foi uma surpresa. Fui de sala em sala pedindo votos, colocando as minhas idéias humildemente", conta. Ele apresentou uma proposta para que os professores fossem preparados para lidar com os portadores de deficiência. O projeto foi aprovado. Jardel cursa a terceira série do ensino médio normal (formação de professores) e a segunda série geral. Além de ser professor, o jovem também quer estudar psicologia, para atuar nas escolas, e não descarta a possibilidade de seguir a carreira política. Ele pede para deixar uma mensagem aos internautas: "Nunca desista de um sonho, porque mais incapaz do que aquele que não consegue é aquele que não tenta".
Como chegar lá?
Para conseguir um lugar no Parlamento Juvenil, o estudante disputa primeiro a liderança em sua escola. Depois, os vencedores de cada escola concorrem à vaga de representante do município. É necessário estar regularmente matriculado numa escola da rede estadual de ensino, da quinta série do ensino fundamental até a terceira série do ensino médio. Como o processo eleitoral começa com um ano de antecedência, alguns parlamentares juvenis já estão cursando o primeiro ano da faculdade. O aluno precisa ainda ter boas notas, ser participativo e comunicativo.
Victor Ribeiro/www.fazendomedia.com

Da esquerda para a direita: Taciano Ramos (Itaguaí), Rômulo Nascimento (Piraí), Bruno Marinho (Rio de Janeiro), Cristina de Oliveira Rosaes (Japeri), Cleiton Corrêa (Pinheiral), Eliane César Lisboa (Barra Mansa), Thaís Ribeiro (Valença), Taiane Moraes (Mendes) e Marcela Teixeira (Rio das Ostras)