......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



Editora: Sheyla Murteira - sheyla@fazendomedia.com


03.02.2006
SE O CORPORATIVISMO DEIXAR

Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Alguma mídia colombina tratou de afirmar que nosso IACS é a faculdade de comunicação da UFF. Imprecisa a informação, por assim dizer. Ao noticiar o incrível assalto ao Instituto de Arte e Comunicação Social, na madrugada desta quinta-feira (02/2), esqueceu-se que ali também funcionam os cursos de Biblioteconomia, Estudos Culturais e Mídia, Produção Cultural e Arquivologia. A propósito: ah, se os arquivos falassem...

Se os arquivos daquela faculdade falassem, talvez outras questões fossem esclarecidas, além do fato de terem levado dois laptops, seis televisões de 29', uma televisão de 20', seis câmeras de vídeo digitais, três data-shows, oito aparelhos de DVD, dois gravadores digitais, seis videocassetes, um computador e uma mesa de áudio, num prejuízo estimado em R$ 360 mil pelo diretor do instituto, Antonio Serra.

Nada mais irônico, entretanto, que uma faculdade que comporta o curso de Cinema sofrer um assalto... Cinematográfico. Quatro sujeitos encapuzados e armados entraram no antigo prédio da Rua Lara Vilela por volta de 1h, e lá ficaram até às 5h. Funcionários falam em três, quatro viagens de carro para levar todo o material.

Quanto ao segurança rendido, a reportagem do jornal O Globo de hoje disse que ele não fora identificado por razões de segurança. No entanto, o JB Niterói dá nome, sobrenome e idade: Max Mattos, 32 anos. Conheço Max há uns bons meses, talvez um ano. Sempre cordial no tratamento com os estudantes que ficavam até tarde para apresentar seus programas na TV Universitária, como era o nosso caso - por vezes saíamos depois de meia-noite de lá.

Contudo, Max jamais confundiu tal cordialidade com qualquer favorecimento. Sempre nos exigia a lista dos participantes e a autorização do diretor. Uma informação que passou em branco nos jornalões: enquanto agrediam o segurança, os assaltantes perguntavam insistentemente: "Onde estão as câmeras com tripé? Onde estão as câmeras com tripé?". Max não sabia, e por isso elas não foram levadas. Se estivessem falando das Super DVs, elas valem cerca de R$ 100 mil. Cada.

Aí está a pista maior, pois é evidente que um sujeito que faz esse tipo de pergunta recebeu a dica de alguém de dentro da Universidade. Ou do próprio IACS, ou então do setor de informática que faz o controle do que é repassado pelo MEC. Com tanto acesso, será que a mídia não conseguiu o depoimento do segurança à Polícia Federal? Ou será que conseguiu e não considerou esta parte relevante?

Por hora, ouvem-se estudantes e professores falando em se organizar para "impedir que isso aconteça novamente", como sempre acontece após cada assalto ou assassinato executado nas portas do IACS. Espera-se que dessa vez as cobranças recaiam sobre os verdadeiros responsáveis e levem em consideração a principal suspeita dos funcionários da casa: de que o assalto foi encomendado por alguém de dentro da própria Universidade. Claro, se o corporativismo deixar.

PS: A Polícia Federal poderia aproveitar sua estada na UFF e investigar o contrato da Universidade Federal Fluminense com a empresa que faz sua segurança patrimonial, a Croll Empreendimentos Ltda.. Indícios de irregularidades já foram encontrados por estudantes.

PS 2: A Croll se ocupa apenas da segurança patrimonial, o que significa que os seres humanos estão desprotegidos. Além disso, seus funcionários não possuem porte de arma e, no momento do assalto ao IACS, havia apenas um segurança para guardar cerca de dez milhões de reais em equipamentos. Como diria Januário de Oliveira, "super-herói é pra isso".


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