......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



Editora: Thaís Tibiriçá - tibirica@fazendomedia.com


21.08.2006
OS NÚMEROS DA FLIP

Por Thaís Tibiriçá - tiribica@fazendomedia.com

A IV Festa Literária Internacional de Parati (FLIP) proporcionou uma maratona literária aos participantes. Com um total de quatro dias de eventos, a festa terminou há uma semana, período em que a cidade recebeu 12 mil visitantes - um sucesso, já que este ano o evento foi realizado no mês de agosto, considerado fora do calendário de férias.

Com 19 mesas e mais de 37 autores, os debates giraram em torno de temas sociais, políticos, reflexões literárias e jornalismo. Neste, os destaques ficaram com as duas mesas sobre a arte da reportagem, sendo que uma delas trouxe a jornalista e escritora Lillian Ross, 79 anos, que trabalha na revista The New Yorker desde 1945.

Durante sua palestra, Lilliam recusou a influência do Novo Jornalismo: "Não acredito em novo ou velho jornalismo, mas sim em textos bem escritos ou não". Ativa na profissão, declarou paixão pelo que faz e, na mesa de autógrafos, mostrou simpatia e paciência com todos os seus fãs.

Além dela a festa trouxe escritores do México, Peru, Portugal, Estados Unidos, Angola, Palestina, Paquistão, Grã-Bretanha, França, Nigéria e Brasil. A tenda principal dos autores proporcionou ao público contato direto com os escritores, podendo fazer perguntas sobre os temas discutidos.

O debate com o escritor e deputado federal Fernando Gabeira e o jornalista Toni Morrison provocou vaias, tendo em vista a posição aberta do jornalista norte-americano a favor da Guerra do Iraque.

A festa com os autores infanto-juvenil, chamada Flipinha, também obteve grande êxito. O envolvimento das crianças de 37 escolas de Parati e Angra dos Reis, enfeitando a praça central da cidade com bonecos em tamanho natural de papel marche, foi uma surpresa. Os bonecos dos três porquinhos, João e o pé de feijão, Branca de Neve e os sete anões, encantaram a todos.

A praça se transformou num perfeito pátio para a criançada, onde cultura e diversão se espalharam em mesas de pintura, narração de histórias, jogos de amarelinha, produção de desenhos e livros infantis pendurados nos troncos das árvores, prontos para serem explorados. Tudo em clima de festa! A Flipinha trouxe quatorze autores para conversar com as crianças e com os 800 professores que participaram de 61 atividades oferecidas durante a festa.

Para que tudo ocorresse bem, a FLIP contou com o trabalho de 350 profissionais gerando 800 empregos indiretos. Os moradores de Parati, além de conviver quatro dias inteiros com os diversos temas culturais, puderam, também, incrementar a renda. É o caso de dona Fátima, que lava lençóis para os hotéis e alugou dois quartos de sua casa para os visitantes da FLIP: "Pretendo crescer com o negócio e, quem sabe, me tornar uma proprietária de pousada".

A Festa Literária Internacional de Parati acontece anualmente, desde 2003, e nesse pouco tempo de existência tornou-se um dos principais eventos literários do mundo, o que pode ser comprovado com a crescente participação tanto de autores quanto do público em geral.


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