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19.12.2006
QUE SAUDADES DO CINEMA PARADISO!

Por Lucas Anchieta - contato@fazendomedia.com

Adoro quando vejo um filme que atende minhas expectativas. E isto ocorreu, sem dúvida, com Cinema Paradiso. Havia lido muito sobre ele, mas nada se comparou com o momento de apreciá-lo.

A história se passa numa vila na Sicília, anos antes da chegada da televisão, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. O protagonista Salvatore (Marco Leonardi) tendo como apelido Toto, hipnotizado pelo cinema local chamado Paradiso travará uma grande amizade com Alfredo (Philipe Noiret) o projecionista do cinema, que era para a pequena vila um ponto de encontro .

Alfredo e Toto se tornam grandes amigos e o pequeno menino acaba se apaixonando pelo cinema. Mas um trágico acidente deixa cego o projecionista, fazendo com que Toto o substitua, já que era o único na vila, além de Alfredo, que sabia operar o projetor.

Toto, por influência de Alfredo, se muda para Roma onde tenta a carreira de cineasta e por fim acaba tornando-se um grande diretor.

O mais impressionante do filme, além do surpreendente roteiro que prende o espectador do início ao fim, é a história sobre o cinema mundial contada a partir do Cinema Paradiso. No pós Segunda Guerra Mundial, ele representa a união de uma população; todos da vila se conhecem graças ao cinema, onde se encontravam e conversavam.

Toto, sendo agora um grande cineasta, volta para sua pequena vila ao saber que seu grande amigo, Alfredo, havia morrido. Ao voltar, ele não reconhece mais nada. A vila virou uma cidade e o Cinema Paradiso que o fez se apaixonar pela sétima arte está fechado e destruído.

O filme mostra como o desenvolvimento urbanístico das cidades junto às mudanças de hábitos da população vai destruindo o que se considerava cinema. A chegada de tecnologias como o VHS, DVD, canais de filmes, tudo aliado ao medo de ser assaltado faz com que se valorize mais o individualismo ao coletivo, provocando o fechamento dos cinemas das ruas. Surgindo um conceito totalmente novo de cinema, no qual o lucro é o essencial, produzindo até propagandas exclusivas para esta mídia, uma infra-estrutura que busca não apreciar a sétima arte, mas o conforto de consumidores.

Assim, cada vez mais, o cinema perde a magia e o impacto que causava antigamente para se tornar algo banal e sem importância, deixando de ser também um local de convivência social.


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