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12.11.2007
CONTAGEM REGRESSIVA PARA OS 200 ANOS
Exposição de tesouros portugueses no CCBB do Rio de Janeiro abre as comemorações da chegada da Família Real ao Brasil

Museu Nacional Arqueológico de Lisboa

Guerreiro Calaico (Tesouro Nacional) em posição estática proveniente do Outeiro Lezenho (Boticas, Vila Real)

Por Isabela Calil - contato@fazendomedia.com

Brasil e Portugal se uniram para mostrar ao público tupiniquim relíquias das terras além-mar. Várias peças que nunca atravessaram o oceano compõem a exposição Lusa – A matriz portuguesa, que pode ser vista no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro até o dia 27 de janeiro. Lusa marca o início das comemorações dos 200 anos da chegada da Família Real ao Brasil, que será completado no próximo ano.

São 147 peças de 38 conceituadas instituições portuguesas; a idéia da mostra é investigar a influência européia, sobretudo a portuguesa, na formação brasileira. Dentre as obras, 39 são tesouros nacionais portugueses, que jamais cruzaram o Atlântico, algumas nunca tinham deixado o país.

Ao alcance do público estão um guerreiro celta de granito (provavelmente do século I a.C), com quase dois metros de altura, e pesando uma tonelada, e o torques, um colar de ouro maciço, em forma de ferradura, usado por eles. Além destes, há peças em pedra, mármore, cerâmica, ouro, azulejos, pinturas, esculturas, achados arqueológicos, mapas e componentes multimídia sobre a formação da língua portuguesa, bem como a arquitetura e a paisagem de Portugal.

Para mostrar um pouco das origens da língua portuguesa, há uma instalação montada em torno da palavra “cama” – uma das únicas que permaneceram na língua desde o período mais ancestral, anterior à chegada dos romanos. Trata-se de uma cama sonora, com 32 m², onde é possível escutar diversas sonoridades lingüísticas que compõem o universo da língua portuguesa como o árabe, o latim, as raízes indo-européias e palavras indígenas do Brasil e africanas.

A disposição da mostra fica assim: no primeiro andar as salas históricas, com os períodos e influências religiosas: Pré-história, Romano, Alta Idade Média, Islâmico, Cristão e Judeu. Quem desejar fazer consultas de referências literárias e musicais pode ir até o Pátio, ambiente que serve como uma sala; já no segundo andar encontram-se as salas temáticas, retratando fatos históricos como as Descobertas Científicas, os Descobrimentos e a importância do Comércio e da Língua. Para estes dois últimos foram reservados duas estantes que cobrem três paredes, contendo potes de vidro com produtos, materiais, alimentos e especiarias que marcaram a história do comércio do país, e se tornaram elementos cotidianos imprescindíveis na sociedade e na língua. Os potes têm legendas com o nome do conteúdo, o significado, a etimologia e seu aporte cultural. Na quarta parede, outra estante com livros fundamentais para entendermos a formação lingüística e cultural do português, como os “Lusíadas” e “A formação do Estado de Portugal”, primeiro documento escrito em português. São edições fac-símiles que o publico pode consultar livremente.

Entre as instituições portuguesas que emprestaram as obras para a exposição, destacam-se o Museu Nacional Arqueológico de Lisboa, o Museu Islâmico de Mértola, a Torre do Tombo, o Museu da Marinha, a Biblioteca Nacional de Lisboa, o Museu Nacional de Arte Antiga, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu Arqueológico de Serpa e o Museu Arqueológico de Silves.

São nove os curadores da grande mostra, todos eles pesquisadores expoentes em Portugal: Luís Raposo (Pré-História), Conceição Lopes (Período Romano), Santiago Macias e Paulo Almeida Fernandes (Alta Idade Média), José Custódio Vieira da Silva (Medieval cristão), Cláudio Torres (Medieval islâmico), Maria José Ferro Tavares (Judeus), Jorge Couto (Descobrimentos) e Ivo Castro (Língua).


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