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Editora: Thaís Tibiriçá - tibirica@fazendomedia.com


07.01.2006
O PEIXE DA VEZ É JUSCELINO
Depois da minissérie sobre o período modernista dos anos 20 em São Paulo, Maria Adelaide Amaral resolveu investir na figura de Juscelino Kubitschek

Por Thaís Tibiriçá - tibirica@fazendomedia.com

No dia 3 de janeiro teve início mais uma superprodução da Rede Globo. Desta vez, o tema escolhido foi Juscelino Kubitschek, que se tornou presidente em 1955 e prometeu ao Brasil um progresso de 50 anos em 5. Sua grande obra foi a construção de Brasília, quando trouxe a figura do impressionante arquiteto Oscar Niemeyer - que junto a Lúcio Costa, fez o projeto da tão sonhada capital do Brasil. A história deste presidente será contada pela escritora Adelaide Amaral, que escolheu o tema para homenagear os 30 anos da morte de Juscelino, e também devido às sugestões dos jornalistas Zuenir Ventura e Elio Gaspari.

O elenco foi escolhido cuidadosamente e trará para a tela verdadeiros atores, que são trocados nas novelas pelos famosos rostinhos bonitos, como José Wilker, Marília Pêra, e Luis Melo. A trama passará por três fases, num total de 44 capítulos. Como não somos ingênuos nem nada, pressupomos que o Juscelino da ficção será mais ameno que o da realidade.

JK foi um presidente que queria levar o Brasil à modernidade, a qualquer custo. Construiu 13 mil quilômetros de estradas, instalou a indústria automobilística e naval. Junto a esse tão sonhado desenvolvimento vieram a dívida externa e o aumento da inflação. A imprensa, por vários momentos, denunciou indícios de corrupção, tendo à frente o presidente. Mas, foi em seu governo que o Brasil teve sua era de ouro nos esportes, conquistando a primeira Copa do Mundo de Futebol, na Suécia (1958). E na cultura, com o surgimento da Bossa Nova e seus mestres, como João Gilberto com "Chega de Saudade".

Na construção de Brasília JK idealizou seu Brasil desenvolvido. "Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu País e antevejo esta alvorada, com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino". Talvez visse como progresso a construção da 'capital da política', que anteriormente ficava no Rio de Janeiro. Hoje, o que vemos é Brasília riquíssima e ao seu redor cidades satélites que vivem das migalhas. Uma capital tão longe do povo que, para manifestarem e protestarem diante do Planalto, levam-se muitos dias de viagem, o que dificulta tanto que a maioria prefere esquecer os protestos.

Juscelino é considerado por muitos brasileiros um governante querido e popular; terminou o mandato e foi substituído por Jânio Quadros, o presidente da vassourinha. Teve seus direitos políticos cassados com o golpe de 1964 e foi exilado em Portugal. Em 22 de agosto de 1976 sofreu um acidente na Via Dutra e faleceu. Até hoje há suspeitas de que sua morte foi provocada, mas não há provas. Seu funeral reuniu cerca de 350 mil pessoas, a maior manifestação pública desde a edição do AI-5 em 1968, e só foi superada em 1984 pelo comício das Diretas.

O jornalista Elio Gaspari cedeu a Maria Adelaide Amaral uma cópia de um diário que Juscelino manteve de 1973 até sua morte. E a autora diz que isso ajudará a enriquecer a minissérie. Sobre as várias amantes e a fortuna que possuía após o mandato, serão temas tratados superficialmente. As mulheres se resumirão na figura de apenas uma, interpretada pela atriz Letícia Sabatella. E sobre a grande fortuna, Juscelino, em seu diário, reclama da falta de dinheiro.

Para Gaspari: "JK jogou menos dinheiro pela janela construindo Brasília do que seus sucessores contratando a dívida externa, o acordo nuclear com a Alemanha e o populismo cambial do final dos anos 90. Talvez JK tivesse feito todas essas coisas. Afinal, apoiou o acordo nuclear e tinha apetite por dívidas e dólar barato".

A homenagem aos 30 anos da morte de Juscelino terá como auge a minissérie. Esperemos que isso não faça com que exagerem na bondade e esqueçam do outro lado da história. O ideal não é um conto de fadas, mas algo realista, pois o Brasil de hoje é resultado da soma de vários governos. E um deles, sem dúvida, foi o de JK. Tirá-lo da rede não dá!

"Como pode o peixe vivo viver fora da água fria? Como poderei viver, como poderei viver sem a tua, sem a tua, sem a tua companhia?".


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