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05.01.2006
HEMINGWAY COM MUITO ESTILO

Por Thaís Tibiriçá - tibirica@fazendomedia.com

Ernest Hemingway foi um ícone para a prosa norte-americana. Fez mais pela elegância do estilo do que qualquer outro escritor do século XX, e pelo conjunto de sua obra lhe foi conferido o Prêmio Nobel de Literatura em 1954. Sempre escreveu com frases curtas e objetivas, tornando-se conhecido pela forma contundente e o lapidar de seu pensamento.

A publicação de O Sol Também se Levanta e Adeus às Armas garantiu-lhe de imediato lugar entre aqueles raros artistas da palavra capazes de criar um estilo. Como integrante do grupo de expatriados voluntários que viveram na festiva Paris da década de 1920, primeiro como jornalista e depois como motorista de ambulância na Primeira Guerra Mundial, iniciou uma carreira literária meteórica.

Retratou igualmente a Guerra Civil Espanhola no romance Por Quem os Sinos Dobram, do mesmo modo como acompanhou, na condição de correspondente, a Segunda Guerra Mundial. Arrebatou o Prêmio Pulitzer com a publicação do clássico O Velho e o Mar, em 1953. Foi considerado desde o início de sua carreira, 1926, um jovem prodígio da literatura. Em 1961, se suicidou... os motivos até hoje são questionados.

Neste mês, a editora Bertrand Brasil lança um dos seus últimos livros, O verão perigoso, escrito aos 60 anos num momento onde o sentimento da morte estava muito presente em sua vida. Em 1959, Hemingway retorna à Espanha - sua segunda casa - através de um contrato com a revista Life para escrever um artigo sobre touradas. Uma paixão antiga que o fez escrever Morte ao Entardecer, considerado pela crítica uma obra-prima.

O autor relata a temporada de touradas de 1959 de forma semelhante ao que consideramos hoje jornalismo literário. A dança da morte, como denominava, vai destacar os toureiros Antonio Ordónez e Luis Miguel Dominguín, personagens principais desta história que tem como belo pano de fundo as regiões mais famosas da Espanha.

A tauromaquia - arte de tourear - será transcrita com precisão comprovando toda sua experiência jornalística e seu estilo. As descrições causam alguns arrepios, principalmente nos golpes ferozes dos touros, como um na nádega esquerda de Ordónez. O leitor que nada sabe sobre esta arte (aí depende da visão de cada um), conseguirá entender melhor o assunto, que se completa com a introdução do escritor James A. Michener. E com o glossário, que fica no final do livro, com as principais palavras da área - usadas a todo o momento pelo escritor.

O espírito das touradas é a busca constante de Hemingway, que tenta com seus sentimentos aflorados passar um pouco da vida e forma de pensar destes matadores - ou suicidas (como cada um queira).

"O sentido da tourada é, para o toureiro, vencer a si mesmo, ao medo da morte. É deixá-la, a morte, se aproximar o mais possível, o mais imaginavelmente possível, e manter os pés fincados no chão, só se desviando no último instante. È portar-se com honra e arte, enquanto aquela potência da natureza, pesando meia tonelada e dotada de chifres capazes de rasgar ao meio uma pessoa e lançá-la nos ares, passa rente a eles".


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