......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



03.07.2007
RCTV: FIM DE UM IMPÉRIO MIDIÁTICO

Por Mário Augusto Jakobskind - jakobskind@terra.com.br

A televisão brasileira, através da TV Comunitária do Rio de Janeiro, canal 6 da Net, mostrou, pela primeira vez em vários meses de discussões sobre a RCTV, uma versão desvinculada do âmbito da mídia conservadora. Trata-se da questão do fim da concessão do canal da Rádio Televisão Caracas, RCTV, que virou tema preferencial da direita latino-americana na estratégia de combate à revolução bolivariana.

Este documentário, RCTV - Fim de um império midiático, que pode ser encontrado em formato DVD, foi realizado pela Associação para o Desenvolvimento da Imprensa Alternativa (ADIA) e dirigido pelo jornalista Achille Lollo, que explica nesta entrevista ao como foi realizado o documentário e a necessidade para as forças de esquerda responderem ao cerco midiático manipulador dos grandes veículos de comunicação. Com imagens praticamente inéditas na TV brasileira sobre episódios recentes da história venezuelana, o documentário apresenta comentários e análises do cientista político Theotônio dos Santos, dos professores Virgínia Fontes e Beluce Belucci e do jornalista Vitor Gianotti sobre o fato histórico que representa para toda a América Latina o fim da concessão da RCTV.

Entrevista concedida por Achille Lollo ao jornal Brasil de Fato:

Este é o primeiro audiovisual publicado no Brasil sobre o caso da RCTV. Como nasceu?
Nós já tínhamos filmado na Venezuela. Por exemplo, Diogo filmou em Caracas à noite do Bairro del Manicomio e impressionou como os artistas populares identificam a RCTV e outras emissoras privadas. Por outro, lado sabíamos que algo devia acontecer quando o tempo da concessão chegava no seu fim. Por isso adiantamos a montagem do filme, de forma que quando o presidente Chávez sentenciou a não renovação, 80% das seqüências do filme já estavam prontas. Assim saiu uma versão na TV Comunitária do Rio (Canal 6 da Net), enquanto a versão original foi editada em DVD.

Antes a Associação para o Desenvolvimento da Imprensa Alternativa (ADIA) publicava revistas, livros e o site Portal Popular. Agora ficaram apenas com o site e a produção audiovisual. Quais motivos que determinaram a mudança?
Em primeiro lugar, as revistas sofreram o impacto das contradições do governo Lula e do próprio lulismo, que dividiu e engessou o movimento durante os primeiros quatro anos. Enquanto isso, decidimos investir todas nossas forças na comunicação audiovisual que, a meu ver, é e será o grande meio de comunicação do futuro. Por isso operamos uma ampla requalificação técnica visando a uma especialização em termos de ter capacidade de pensar-filmar-editar-produzir uma informação visual para o movimento.

Porque você prioriza os DVDs e quantos títulos produziram até agora?
O DVD é muito coletivo, barato e pode ser veiculado na TV e até na internet. Por isso optamos fazer com o DVD uma revista audiovisual temática. Até agora editamos a edição 146 da Revista Nação Brasil, as de número 17 e 18 de Conjuntura Internacional, cuja manchete é RCTV: Fim de um Império Midiático. No próximo mês vai sair o DVD com a edição 7 de Crítica Social, que tem a participação de Virgínia Fontes, João Pedro Stédile, Atilio Boron e Arrigo Boito. Na prática estamos filmando, editando e publicando em DVD questões temáticas interessantes que antes não eram aproveitadas.

Pode dar um exemplo?
No ano passado, filmamos o contraponto teórico realizado no Sindicato dos Jornalistas do Rio entre o nacional-desenvolvimentista Carlos Lessa e o social-liberal Marcello Coutinho. A edição resultou em um lindo roteiro para um filme - o título será: América Latina, Desenvolvimento ou Mercado? - que foi montado, quase como se fosse uma revista, com seqüências filmadas por nós na Argentina, Venezuela, Uruguai, Colômbia, Brasil ou utilizando material de arquivo. Já estamos em 102 minutos, faltam editar os últimos dez minutos e depois faremos o lançamento. Também, por causa das traduções, permanecem em aberto o Dossiê Colômbia e Haiti: história de um "golpe".

A televisão brasileira, através da TV Comunitária do Rio de Janeiro, mostrou, pela primeira vez em vários meses de discussões sobre a RCTV, uma versão desvinculada do âmbito da mídia conservadora. Trata-se da questão do fim da concessão do canal da Rádio Televisão Caracas, RCTV, que virou tema preferencial da direita latino-americana na estratégia de combate à revolução bolivariana.

Porque a esquerda, os sindicatos e o movimento em geral sindical, em seu jornais, falam muito em democratizar a imprensa, mas fazem muito pouco para criar e apoiar as alternativas?
Hoje - depois de batalhar durante 11 anos para fazer sobreviver a ADIA - estou convencido de que a maioria da esquerda ainda não equacionou o potencial ideológico e manipulador da mídia no âmbito da luta pela democracia e, sobretudo no âmbito da luta de classe. Poucos, muitos poucos, compreenderam que a informação é mercadoria e que o audiovisual é a mercadoria mais valiosa porque é a que tem mais capacidade de criar mitos e crenças que direta ou indiretamente justificam o status quo e reforçam o atual regime de exploração. Antes, os golpes de estado eram dados a cada seis meses. Hoje, todos os dias TVs, rádios e jornais dão golpes para manipular, gradualmente, a opinião pública. Afinal, a moderna função estratégica da mídia é garantir o controle social.


Clique aqui para assinar nosso jornal impresso


Este site é melhor visualizado na resolução de 800 x 600 pixels.
© 2004 Fazendo Media - por Kzal Design