......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS



SEGUNDA OPINIÃO

20.12.2005
Aposentadoria, a canalhice nacional

Se você vive uma só vida... como pode se aposentar duas, três, quatro vezes?

Se a aposentadoria é limitada a vinte salários mínimos... como alguns recebem mais de cem salários mínimos de aposentadoria?

Se o tempo de contribuição para a aposentadoria é de 30 e 35 anos... como pode uma pessoa aposentar-se, como político, por um único mandato de quatro anos?

Se quem deve para a previdência social não pode prestar serviço para empresas do governo... como pode as empresas do governo participarem como patrocinadoras de clubes de futebol em débito para com a previdência social?

Se a previdência utiliza cálculos atuariais para programar a utilização do dinheiro que recebe como contribuição, para poder pagar a aposentadoria e pecúlio dos contribuintes... como pode a previdência social não ter dinheiro para honrar as aposentadorias e viver lamentando pelo rombo da previdência?

Se a lei não pode prejudicar o direito adquirido... como pode a lei modificar o teto de contribuição de 40 salários para 20 salários e prejudicar os contribuintes que durante anos contribuíam para o teto de 40 salários?

Se a previdência social foi arruinada por sucessivas administrações ruinosas, provocando rombos colossais... por que não existe um único administrador da previdência punido, preso ou condenado?

Se o cidadão contribui coercitivamente, compulsoriamente, para a previdência e tem como único meio de atendimento os hospitais da previdência... por que não é atendido condignamente nestes hospitais?

Desconheço um segmento do governo que contenha tantos absurdos, tantas covardias, tantas contradições quanto a previdência social. É um caso tão escabroso, tão gritante, tão repugnante, que permanece vivo como uma chaga social aberta e desafiando a integridade de governantes e legisladores.

Nenhum governante pode dizer-se íntegro se não tiver lutado dignamente pela correção das injustiças da previdência social. E, na realidade, o que vemos é exatamente o oposto. Ou seja, o candidato à presidência da república, de hoje, que apresenta-se como justo e honesto, é o feliz beneficiário de uma gorda aposentadoria de presidente, amanhã. O candidato a parlamentar e legislador, que apresenta-se como a solução para reformulação do "status quo", é somente mais um oportunista e feliz beneficiário de uma aposentadoria de parlamentar pelo exercício de um único e simples mandato parlamentar. Que, aliás, trata-se de mais uma (outra) aberração, pois enquanto os cidadãos de segunda classe têm somente férias de 30 dias, os parlamentares ficam mais de 90 dias de férias, e trabalham menos dois dias por semana (segunda e sexta-feira) do que os cidadãos comuns, sem que estes dias sejam descontados de seus proventos. E a tudo paga-se compensatória e regiamente a estes parlamentares.

Ano que vem teremos eleições. Teremos as mesmas promessas de sempre. Todos falarão das mesmas coisas: saúde, trabalho, transporte, educação... Mas nenhum candidato se proporá a mudar, de verdade, o "status quo". Tacarão pedra no Lulla porque é aposentado como metalúrgico por ter perdido um dedo e tornado-se "incapaz" (Incapaz? Disseste-o bem). Falarão que ele recebe a segunda aposentadoria por causa de sua luta contra a ditadura. Falarão que ele recebe a terceira aposentadoria como parlamentar (de triste e inútil memória, diga-se de passagem), ainda que exercido por somente quatro anos. E finalizarão dizendo que ele receberá a quarta aposentadoria como ex-presidente, por ter simulado dirigir este país por quatro torturantes anos, como presidente do país. Mas, de fato, de verdade, ninguém fará ou terá feito nada para mudar, de verdade, este estado caótico da previdência social, pois de fato a previdência social é a grande prostituta da qual todo candidato a parlamentar ou a presidente da república quer manter voluptuosas relações de gozo e fruição.

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> Roméro da Costa Machado, segundo o próprio: carioca, nascido no melhor dia do mundo, onze de setembro, é Auditor e Escritor, aprovado em concurso público para Agente Federal de Tributos, entre os primeiros lugares. No entanto, optou pelo setor privado, onde trabalhou nas empresas Auditór, Coopers & Lybrand, Boucinhas Campos e Claro, Grupo Portland/Lone Star (Cimento Mauá) e Rede Globo (quando era holding). Foi Controller no Grupo Portland e na Fundação Roberto Marinho, além de Assessor Especial do Vice-Presidente da Rede Globo, José Bonifácio Sobrinho, o Boni. É autor, entre outros, de Afundação Roberto Marinho (Editora Meus Caros Amigos). Com o maior prazer do mundo sempre escreveu para a Tribuna da Imprensa.


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