Grupo de ativistas diz que pode comprovar tortura de manifestantes na Síria

Um grupo de ativismo internacional, o Avaaz, afirmou que possui documentos comprovando que mais de 600 sírios foram torturados até a morte por forças de segurança, durante a repressão aos protestos antigoverno no país.

As informações foram divulgadas pela BBC, que destacou ainda que o Avaaz – fundado em 2007 pelo ativista canadense Rick Patel – pediu que os observadores da Liga Árabe na Síria visitem os locais onde as torturas aconteceram, para garantir que o governo pare com os abusos.

O primeiro-ministro do Catar admitiu que a missão cometeu erros, mas disse que seu objetivo era monitorar a situação, e não pôr fim às mortes. O chefe do Exército Livre da Síria, composto de soldados que se juntaram à oposição, disse que a missão falhou e que a Liga Árabe deve deixar que a ONU assuma o comando da situação.

O pesquisador Ramez Philippe Maalouf, especialista em História das Relações Internacionais pela UERJ, avalia que parte da imprensa ocidental não tem destacado alguns aspectos importantes do conflito.

Segundo Ramez, estes segmentos da imprensa têm acusado levianamente o governo de explodir bombas pelo país para justificar a repressão perpetrada pelo regime de Bassar al-Assad. Hoje (6/1) ocorreu um novo atentado na capital Damasco, com pelo menos 26 mortos e mais de 70 feridos.

“Em nenhum momento a mídia levanta a hipótese, muito concreta, do envolvimento de grupos terroristas apoiados com armas e dinheiro pela extrema-direita libanesa, a Turquia, a Líbia, o Catar e a Arábia Saudita. Estes grupos terroristas, tais como o Exército da Síria Livre (comandado por um primo de Bassar), têm feito inúmeras ameaças ao governo de Assad. Além disto, há informes de inúmeros sírios assassinados e mutilados pelo simples fato de serem cristãos ou muçulmanos não sunitas. Estas comunidades são alvos de ataques de terroristas salafistas-wahhabitas armados e pagos pelo Catar e Arábia Saudita, principalmente”, avaliou Ramez.

A mídia liberal no ocidente e no mundo árabe, continua o pesquisador, estaria censurando estas notícias para atacar o regime de Assad ao invés de informar o público do que realmente ocorre. “O regime de Assad continua pagando o alto preço por não reagir aos ataques israelenses (2003, 2006, 2007 e 2010) e à ocupação militar sionista das Colinas de Golã”, concluiu Ramez.

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