AFUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO
por Roméro da Costa Machado, escritor.

O livro, inicialmente editado pela Editora Tchê, foi um sucesso retumbante, ficou um bom tempo como o mais vendido do país e outro tempo enorme (quase um ano) entre os dez mais vendidos, apesar da sujeirada da revista Veja que boicotou o livro desde o lançamento e até mesmo aboliu a tradicional publicação dos livros mais vendidos para não ajudar na venda do livro e não mostrá-lo como o mais vendido do país.

Posteriormente, a própria Editora Tchê não viria a resistir as pressões da Globo/RBS, e foi "vendida" a sabe-se lá quem... deixou de me pagar direitos autorais e eu tive que abrir uma editora para publicar este e outros livros. Mas, ainda assim, apesar de toda manobra desesperada da Globo, o livro teve reflexos incríveis, jamais vistos no país em qualquer outro escândalo.

Para evitar a CPI da Afundação feita em função das denúncias do livro e a prisão de Roberto Marinho, acumpliciaram a todas as falcatruas da "Afundação" as mais "sérias" e "sólidas" instituições deste país a saber: Receita Federal, Polícia Federal, Ministério da Fazenda, Ministério da Justiça, OAB, ABI, Curadoria de Fundações, Procuradoria da República, o Judiciário como um todo, o Senado Federal e até mesmo o Presidente da República. Tudo numa mega cumplicidade jamais vista anteriormente, cujo único objetivo era evitar a prisão de uma pessoa tida como "honrada" e acima do bem e do mal. (Isto sem se falar no silêncio mortal da grande imprensa: revistas, jornais e televisões, mas isto não é novidade alguma, pois a grande imprensa nunca teve dignidade mesmo, sempre trocou notícia e apoio por anúncio)

Mas um jornal destruiu, sozinho, tudo isso e fez o maior registro de corrupção e bandidagem de terno e gravata feito nos mais renomados gabinetes. O jornal Tribuna da Imprensa, do fantástico Hélio Fernandes, registrou tudo e colocou em xeque as maiores autoridades do país. Vejamos algumas das manchetes da Tribuna da Imprensa:

05/08/88 - "Fundação Roberto Marinho, um antro de falcatruas" (Aqui a Tribuna faz uma síntese do livro e mostra em outra manchete - "Cai o pano das Organizações Globo" - toda criminalidade envolvida na Afundação)

08/08/88 - "Roberto Marinho pode pegar, no mínimo, 20 anos de prisão" (O renomado criminalista Paulo Goldrajch examina o livro e declara aos jornais a pena a que Roberto Marinho estaria sujeito)

10/08/88 - "Tuma se omite e pode ser processado" (O ex-xerife e bambambam da Polícia Federal (superintendente) passa a fugir igual a um coelho assustado para não agir contra a Globo, a ponto de fugir dos repórteres da Tribuna pela porta dos fundos da sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro e depois inventar uma viagem ao exterior e por lá ficar um tempo enorme até as coisas acalmarem no Brasil)

11/08/88 - "Rede Globo é um caso de polícia" (O renomado criminalista Nilo Batista declara que o caso da Globo e da Afundação era um caso de bandido, específico para a polícia)

13/08/88 - "Fraudes da Afundação não são apuradas" (Todas as autoridades passam a fugir da Afundação)

15/08/88 - "O Procurador-Geral da República; Ministro da Justiça; Superintendente da Polícia Federal; Procurador da República no Rio; Secretário de Polícia Civil do Rio; todos responderão a ação popular por terem encoberto Roberto Marinho" (Estava estabelecida a maior rede oficial de acumpliciamento, corrupção e sem-vergonhice estabelecida no país)

20/08/88 - "ABI - Associação Brasileira de Imprensa - também evita falar da Afundação" (Até mesmo o "íntegro" Barbosa Lima Sobrinho silencia para não falar mal de um "sócio" da ABI = Roberto Marinho)

02/09/88 - "Procurador também foge da Afundação" (Até mesmo o procurador Navega, tido como correto e respeitado professor formador de juizes, fugiu da Afundação para não prender Roberto Marinho)

08/09/88 - "Polícia Federal está na caixinha da Globo" (Em país algum do mundo uma manchete dessas poderia ser estampada sem que alguém fosse preso. E no entanto, ninguém foi preso ou sequer processado)

16/09/88 - "Brossard (Ministro do Supremo e ex-Ministro da Justiça) incorpora Falcão (ex-Ministro da Justiça do tempo da ditadura) e cala sobre os crimes da Globo" (As mais altas autoridades do Judiciário se acumpliciam a Roberto Marinho para que ele não fosse para a cadeia)

Nesse meio tempo, o bravo Deputado Paulo Ramos lutava em Brasília para instalar a CPI da Afundação. Num dia tinha nomes de sobra para instalar a CPI. Noutro dia os nomes eram retirados como num passe de mágica, por pressão da Globo. E, paralelamente, ninguém menos do que o próprio Presidente da República, José Sarney, vinha fazendo a maior distribuição de canais de televisão e estações de rádio jamais visto no país, coincidentemente com a retirada dos nomes da lista da CPI, enquanto que o próprio Presidente baixou dois decretos que legalizavam alguns dos maiores crimes da Globo e de quebra de contrabandistas, doleiros, traficantes e donos de dinheiro frio e sujo. Onde ao custo de míseros 3% (três por cento) qualquer um legalizaria qualquer dinheiro frio, fosse da origem que fosse, sem precisar de paraísos fiscais ou de lavanderia de lavagem de dinheiro sujo. Foi o maior ato de lavagem e legalização oficial de dinheiro sujo havido no país.

Esses e outros assuntos correlatos estão detalhados no maior livro sobre corrupção já editado no Brasil: "Afundação II - Uma biografia de corrupção"

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