

ANTI-CELEBRAÇÃO NA PAULISTA
por Rodrigo Mendes, de São Paulo
Continuando a anti-comemoração do aniversário da Rede Globo, aconteceu dia 29 de abril, sexta-feira, uma anti-festa em São Paulo. Foi no vão livre do MASP, Museu de Arte de São Paulo, local tradicional para eventos do tipo. Nenhum artista da Rede Globo apareceu.
Rodrigo Mendes

Av. Paulista: exibição pública do filme Muito Além do Cidadão Kane
Com dificuldades de estrutura, os organizadores, em sua maioria voluntários do Centro de Mídia Independente (www.midiaindependente.org) de São Paulo e membros do coletivo Media Sana, de Recife, começaram a festa com duas horas de atraso. Mas não que alguém estivesse preocupado com isso, ou que isso tenha diminuído os ânimos do pessoal. A cerveja estava gelada, e a mostra de vídeos empolgou as mais de 100 pessoas presentes.
Claro que a festa tinha como objetivo ser uma manifestação em repúdio à Globo. "[A festa] quer mostrar que o monopólio da Globo impede a diversidade dos pontos de vista necessários numa democracia", afirmou o ativista do CMI Ned Ludd. E essa era a preocupação dos manifestantes, que seguiram bem à risca a receita da agência Adbusters (www.adbusters.org), de resistência criativa.
Rodrigo Mendes

Preparativos para a anti-celebração
Falamos da Adbusters por causa da importância dessa agência de contra-propaganda canadense nesses dias de comemoração da emissora de Roberto Marinho. É que eles são os mentores da campanha Semana sem TV, que aconteceu justamente entre 24 de abril e primeiro de maio. Feliz coincidência?
Ativistas que organizaram a campanha TV Turnoff Week no Brasil apareceram na Paulista caracterizados. Manifestantes com cartazes se encarregavam de tentar fazer as pessoas que passavam na rua entender de que se tratava a anti-festa.
Rodrigo Mendes

Ativistas "pensando" numa nova televisão
Em dado momento, um dos organizadores do evento provocou a platéia, questionando sobre o maldito jogo que a Globo mandou a CBF realizar - e que a Globo transmitiu sem pagar, que foi transformado em despedida do Romário menos de uma semana antes do jogo - em pleno Pacaembu. Na ocasião, quem deu o espetáculo foi a torcida, que xingou os responsáveis pela transmissão de jogos, como Galvão Bueno e Arnaldo César Coelho, e fez a Globo diminuir o áudio com os gritos de "SBT!" Certo, dirão, foi muito mais pela farra: é forçar a barra dizer que o povo que foi ao jogo está cansado da ditadura da Rede Globo. Ok. Mas se fosse um jogo promovido pelo SBT, ou pela Record, eles teriam gritado "Globo"? Será que há um germe de indignação e descrença com relação à Globo?
Um dos fatores que mais chamou a atenção dos passantes foi a exibição dos vídeos. Gargalhadas eram arrancadas do público na exibição do registro de quando um repórter da Globo, Brito Júnior, foi fazer a cobertura do festival Mídia Tática Brasil. Brito Júnior queria mudar a disposição das instalações para aparecerem melhor no vídeo, fez interpretações despropositadas de obras, fazendo alusões ao Big Brother, irritou os organizadores do evento e os mandou à puta que os pariu diversas vezes. Diversão garantida. Este e vários outros vídeos que foram exibidos na Paulista estão disponíveis no sítio do CMI.
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